Diz um ditado popular que o melhor da festa, é esperar por ela. No tempo litúrgico do Advento que estamos vivendo é necessário aguardar a festa do nascimento de Jesus e, para tanto, preparar-se bem.
Num mundo marcado pelo consumo, num mundo tão violento como temos visto pela TV, numa época em que muita coisa se apresenta desordenada, somos chamados a manter acesa a “esperança” e, na coragem cristã, dizermos: “Vem, Senhor Jesus”.
Neste segundo domingo do Advento que hoje celebramos, o profeta Isaías, o trecho da carta de Paulo aos Romanos e o evangelista Mateus se encarregam de iluminar e fortalecer nossa caminhada para o Natal. Deus está conosco! O profeta Isaías nos faz sonhar. Num determinado ponto da Palavra, o profeta nos descreve uma sociedade que parece um paraíso. Desaparecem todas as inimizades e reina a harmonia entre os animais, entre Deus e o homem e entre todos os homens. Não há ninguém que pratique a maldade.
Com esta mensagem, Isaías quer infundir nas pessoas do seu povo a certeza de que um dia o Senhor restabelecerá no mundo a Paz que reinava no paraíso terrestre, antes do pecado. Mesmo cumulando de bênçãos a família de Davi, seus descendentes não conseguiram conservar a Paz; A única atitude que resta é aguardar um outro descendente, um rebento sobre o qual repousará o Espírito do Senhor. O rebento da família de Davi, porém, já brotou, está se desenvolvendo, já se tornou um povo com a missão de tornar realidade neste mundo a nova sociedade prometida por Isaías. Se o mundo continua marcado pela violência significa que ainda é necessário a mudança do nosso coração. Se recusarmos aceitar tal mudança, nunca será Natal na nossa família, na nossa comunidade, em nosso país, no mundo!
A segunda leitura apresenta Paulo escrevendo aos cristãos de Roma a quem ele deseja que Deus dê a graça da harmonia e da concórdia. O apóstolo fala também da unidade: ter um só coração, uma só voz e dar importância ao acolhimento mútuo, a exemplo do próprio Cristo. Paulo estava preocupado com as tensões que havia dentro da comunidade de Roma, entre dois grupos de cristãos. Os dois grupos se insultavam mutuamente. Paulo aconselha para todos (os fracos e os fortes), que vivam o amor, a caridade, o respeito recíproco e utiliza, como argumento decisivo, o exemplo do Senhor. O Senhor Jesus, diz Paulo, não procurou agradar a si mesmo, mas se colocou a serviço dos outros. Com os ensinamentos de Paulo aprendemos que na vida devemos construir o dia adia no diálogo, no encontro e no respeito mútuo.
O segundo domingo do Advento traz sempre a figura de João Batista no texto do evangelho. Foi João Batista quem preparou o povo de Israel para a vinda do Salvador e, ainda hoje, ele está em condições de ensinar-nos a acolher o Senhor que vem. João era um homem austero, sua alimentação era simples, igual à dos habitantes do deserto. Suas vestes eram rústicas. A figura de João Batista é uma denúncia, uma condenação à sociedade fundada nos valores da superficialidade. Sua mensagem se resume com uma simples frase: “O reino de Deus está perto, mudai o vosso coração”. Ele é o exemplo do despojamento, da fidelidade, da entrega total ao projeto do Pai. Não prega apenas com palavras. O faz, especialmente, com seu exemplo, com seu testemunho.
Mostra que o seu batismo é de purificação e o outro batismo, o de Jesus, será pelo Espírito, e dará a quem o receber a filiação divina, a vida nova. João Batista vive no deserto que para nós, significa lugar de oração, de encontro com Deus. Ele nos convida a “preparar o caminho do Senhor, a endireitar suas veredas”. No mundo existem muitas veredas a endireitar: a violência, as diversas formas de agressão, o egoísmo, a corrupção, a discriminação, etc. É preciso vingar a esperança, a coerência entre fé e vida, os valores evangélicos, a solidariedade, a alegria, a promoção da vida, etc. É preciso que cada um descubra o que recebeu em abundância e veja qual a melhor forma de usá-los no dia-a-dia, visando à própria conversão e à conversão dos que lhe são próximos. João Batista nos chama à prática da “solidariedade”.
DIA DA PADROEIRA
O dia 8 de dezembro é “dia santo de guarda” e, para todos os fiéis batizados da Diocese, dia muito especial: é a Solenidade da Padroeira, a Imaculada Conceição. Teremos a “alvorada”, com a Imagem de Nossa Senhora. As missas serão celebradas às 7h, 10h30, 17h e 19h. A procissão tradicional será às 20h. A Catedral aguarda a todos!
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br