O número de jovens apreendidos em flagrante por tráfico de entorpecentes em Franca aumentou 50% este ano na comparação com todo o ano passado. Nos 12 meses de 2009 foram 30 menores flagrados com drogas e apreendidos na Fundação Casa (antiga Febem), contra 45 até novembro deste ano. “As quadrilhas tem aliciado mais os adolescentes, tendo em vista que quando o menor é detido, fica menos tempo recolhido. Enquanto os maiores de idade podem ficar na cadeia de 5 a 15 anos, os menores ficam apreendidos de seis meses a três anos”, disse o delegado Pedro Luís Dalaqua, da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes).
O delegado afirma que os jovens começam no mundo das drogas como usuários. Depois, em troca de entorpecentes, passam a vigiar os pontos de venda e alguns chegam a “gerente” de “boca de fumo”, sempre comandados por maiores de idade. “Infelizmente eles (menores) estão começando a usar drogas cada vez mais cedo e, com isso, acabam entrando mais cedo no tráfico. Eles são usados na venda para conseguir (drogas) para o seu próprio uso”, disse.
Fatores sociais também explicam o envolvimento dos menores com drogas. A psicóloga Shirley Silvério Narcizo, 37, que presta atendimento e orientação psicológica a usuários e seus familiares em uma sala anexa à Dise, disse que os jovens, principalmente os das classes C e D, buscam nas drogas “status financeiro” e dinheiro fácil. “Eles se sentem atraídos pela possibilidade de comprar os objetos do desejo de qualquer jovem sem ter que trabalhar”, disse Shirley. Ela revelou ainda que os adolescentes do tráfico nunca querem ajuda para deixar o mundo das drogas, porque acham que podem sair sozinhos.
O tráfico de drogas também tem contribuído para o aumento no número de adolescentes envolvidos com outros crimes, de acordo com as polícias Civil e Militar. “O adolescente parte para o furto e roubo para poder sustentar o seu vício”, afirmou Daniel Paulo Radaelli, delegado assistente da Seccional de Franca. Para Radaelli, a punição aos jovens deve estar atrelada a um tratamento de saúde. “Quem parte para a criminalidade sofre de desajuste social e precisa de atendimento psiquiátrico”, disse.
Para os policiais que vivem a realidade das ruas, a impunidade do menor infrator acaba servindo de estímulo e fortalecendo o comércio das drogas. “A maioria deles chega a rir de nós, porque sabem que todas as vezes que forem flagrados com drogas, vão sair da Delegacia de mãos dadas com os pais”, desabafou um policial que pediu para não ser identificado.