08 de julho de 2026

Caridade


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O Espiritismo não é uma doutrina salvacionista. A simples frequência às atividades doutrinárias espíritas não garante salvação a ninguém. Pelo contrário. De acordo com o entendimento proporcionado pelo Espiritismo, é o próprio indivíduo que realiza a sua salvação – que podemos traduzir para evolução. O processo evolutivo, que é eterno jamais terá um ponto final é realizado pelo autoburilamento e cada indivíduo o promove segundo sua capacidade e livre-arbítrio. Efetuando uma auto-análise, ficamos cientes dos pontos onde somos vulneráveis e que devem ser objeto de nosso empenho corretivo. Por isso, o benfeitor espiritual Eurípedes Barsanulfo assevera com propriedade: “vencedor é o que venceu a si mesmo”. Portanto, nosso esforço deve estar focado na dominação das fraquezas humanas, substituindo os vícios pelas virtudes.

Indubitavelmente, um caminho seguro a ser trilhado na escalada evolutiva, é o da prática da caridade. Por esta razão, um dos lemas mais difundidos entre os espíritas é: “Fora da caridade não há salvação”.

Vê-se, com efeito, que o próprio enunciado da proposição tem-na por demais abrangente, isto é, oferece-nos a confortável evidência de que todos somos perfectíveis, que o desígnio da evolução moral contempla a todos, sem exceção. Portanto, a bandeira da verdadeira caridade erguerá a todos, com ou sem religião, à autopremiação da felicidade “paradisíaca”, requerendo tão-somente seja acompanhada da bandeira do relativo conhecimento dos princípios das leis universais que diretamente nos dizem respeito.

Cumpre-nos considerar, ainda, que o estandarte da caridade é que propiciará a quem o sustenta a excelsa participação na Obra Divina.

Caridade, no seu mais amplo sentido, requer mais alargadas considerações. Não tem o significado simples da doação material. Exige muito mais. Que a expressão do amor desloque-se da teoria para a prática. Doar coisas é apenas a primeira etapa da prática caridosa. Diríamos, a mais fácil. Indagados a respeito da caridade segundo a entendia Jesus, os espíritos que ditaram a Codificação foram enfáticos e responderam: “Benevolência para com todos, indulgência para as faltas alheias e perdão das ofensas”. Vê-se, pela resposta, que a caridade abrange um leque imenso de possibilidades de ação. Seja praticando o bem em qualquer circunstância, seja compreendendo os deslizes dos nossos semelhantes, seja, ainda, perdoando eventuais ofensas que se nos tenham feito.

A humanidade terrena, infelizmente, ainda não é dada à prática da caridade. A julgar pelos números estatísticos, veremos que gestos caridosos no nosso planeta, ainda não são unanimidade.

O jornal Folha de S. Paulo, edição de 12 de outubro último, sobre um índice de avaliação da caridade em diversos países, informa que a Nova Zelândia foi classificada em primeiro lugar e o Brasil em 76º. Dizendo que nos países situados nos primeiros lugares o voluntariado é muito intenso, o artigo mostra o quanto é possível fazer quando se está disposto a seguir o lema da caridade.

É evidente, no entanto, que critérios subjetivos devem ser considerados. Por exemplo, nos países ricos quase não há necessidade de ajuda intersocial, quer pelas possibilidades dos indivíduos, quer pela participação provisional do Estado. Já, nos países pobres e emergentes, como o Brasil, as necessidades materiais são mais presentes. Teria este aspecto sido levado em consideração? De qualquer forma, fica o desafio: que entre os homens a ação teórica do amor migre decididamente para a caridade na prática.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)