Morreu ontem, depois de internação de uma semana no Hospital Regional causada por insuficiência respiratória, o conhecido e respeitado professor Chafik Felippe. A causa da morte foi parada cardiorrespiratória.
Tinha 86 anos. Nasceu em Pedregulho, filho de José Felippe e Honória Abud Felippe mas foi em Franca que o professor Chafik viveu a maior de sua vida tornando-se conhecido e referencial em sua área, o Desenho Artístico, Geométrica e Mecânico.
Fez seu estudos na Escola Profissional ‘Júlio Cardoso’. Aos amigos da época dizia que pretendia ser desenhista e arquiteto. Não seguiu essa trilha. Logo após formar-se, mereceu convite para tornar-se professor de Desenho no Colégio do Triângulo Mineiro, em Uberaba (MG). Lá, também ministrou aulas no ginásio estadual e no Senai. Só depois de tomar gosto pelo ensino submeteu-se a concurso para ingresso definitivo no magistério. Após conseguir seu registro, outro convite o devolveu a Franca.
Foi substituir os docentes de desenho da Escola ‘Torquato Caleiro’, Júlio César D’Elia (elevado ao cargo de vice-diretor da escola) e Nádia Luz, transferida para vitória, no Espírito Santo. Venceu, nos anos seguintes, outro duro desafio: seu registro de magistério não valia em São Paulo. Prestou outro concurso, desta vez no Estado e, dentre 22 candidatos francanos, foi chamado a efetivar-se.
Peregrinou por algumas cidades antes de tornar a Franca.
Ministrando aulas, não deixou de adquirir conhecimentos novos. Formou-se em Educação Artística pela Universidade de Ribeirão Preto. Tal foi seu aproveitamento que, também a convite, assumiu, na Universidade, aulas de Fundamento das Linguagens Visuais.
Chafik foi um dos professores mais aplaudidos da Escola ‘Torquato Caleiro’, de Franca. Integrou grupo de professores que proporcionaram à escola ser reconhecida como uma das melhores escolas públicas do Estado, já sob o comando de Júlio César D’Elia como diretor.
As aulas de desenho geométrico de Chafik eram aguardadas e temidas. Chegava à sala munido de longas réguas, esquadros e até um compasso, tudo em madeira. O aprendizado era moderno. Chafik, antes de apresentar triângulos, cúpulas e cálculos complexos, deixava fluir sua veia artística e comentava sobre construções históricas, detendo-se em porções delas nas quais os conceitos a serem ensinados foram aplicados quando das obras.
De quando em quando, ameaçava o aluno que não conseguia acompanhar, brandindo a longa régua de madeira ou atirando um pedaço de giz. Nada que tivesse feito quaisquer vítimas ou causado constrangimentos ao longo de toda a sua carreira.
Também pintava. Suas telas de personagens eram consideradas autênticas documentos fotográficos. Outras registravam prédios e momentos históricos da vida da cidade.
Foi um dos organizadores do Centro do Professorado Paulista da Região de Franca. Fundou a Escola de Cultura Artística, embrião da Pinacoteca Municipal que levou o nome do artista ‘Miguel Ângelo Pucci’, por sugestão sua. Criou propostas artísticas reconhecidas, como o ‘Centenário de Santos Dumont’, ‘Seu filho é um Artista’ e ‘A infância pede a benção ao idoso. Apresentava-se como pesquisador histórico. Levantou dados e deixou duas excelentes obras de resgate de memória (O bairro de Miramontes e Vila Aparecida).
Nunca deixou de lutar para que as escolas públicas voltassem a ensinar Desenho. Chegou a ir, pessoalmente, à Câmara de 2º grau do Ministério da Educação, com a solicitação. O parecer da Comissão foi favorável mas a atividade nunca voltou à grade de ensino.
Dedicou sua vida a cuidar da mãe, primas e irmã. Chegou a vender parte de seu patrimônio, para fazer frente a despesas. Decidiu-se por oficializar, ano passado, união civil com Márcia Cândida Barbosa Felippe, que conheceu há 6,5 anos quando a contratou como cuidadora de uma parente sua. Na casa onde moravam, ficou seu ateliê de pintura e seu acervo artístico.
Chafik está sendo velado desde ontem no São Vicente de Paulo. O sepultamento ocorrerá hoje, às 8h30, no Cemitério da Saudade.