09 de julho de 2026

Obesidade atinge 55% das mulheres pobres de Franca


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NA LUTA - Lucimara dos Santos Davanço prepara a comida para seu marido. A dona de casa diz que não almoça. Ela come doces e guloseimas durante todo o dia, mas quer emagracer

Mais da metade das mulheres pobres de Franca estão acima do peso. Uma pesquisa realizada pelo Sisvan (Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional), do Ministério da Saúde, mostrou que, na cidade, 55% das mulheres pobres com idades entre 20 e 60 anos estão fora da faixa normal de peso. Para a pesquisa, foram pesadas 3.972 adultas que fazem parte do Cadastro Único, um levantamento que funciona como um instrumento de identificação e caracterização socioeconômica das famílias brasileiras de baixa renda para inclusão nos programas sociais do governo federal. No caso dessas mulheres, elas são beneficiadas pelo Bolsa Família, que atendem lares com renda per capita inferior a R$ 140.

O Sisvan é um órgão vinculado ao SUS (Sistema Único de Saúde), que faz o monitoramento das condições nutricionais da população por áreas geográficas e segmentos sociais. Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo do levantamento é identificar as políticas públicas necessárias para a melhoria dos padrões de consumo alimentar. “Este resultado possibilita uma visão geral de como está o controle nutricional da população pobre”, disse o assessor de comunicação do Ministério, Gabriel Rezende Fialho.

O excesso de peso é calculado a partir do IMC (Índice de Massa Corporal) de cada pessoa. O seu peso (em quilos) é dividido pela altura (em metros) elevada ao quadrado. Se o resultado for igual ou superior a 25, há o sobrepeso. Caso o valor encontrado ultrapasse 30, a pessoa é considerada obesa. Das 3.972 mulheres examinadas, 1073 (27%) estão neste último grupo. O índice é o dobro da média nacional, que é de 13,5%.

A dona de casa Luciana Assunção está acima do peso. Ela tem 1m67 e pesa 82 quilos. Ela se alimenta basicamente de arroz, feijão e carne, mas admite comer pães e doces quase que diariamente. “Gosto muito desse tipo de comida. Sei que elas ajudam a aumentar a gordura no corpo, mas não consigo comer apenas alimentos saudáveis”, disse.

ALIMENTAÇÃO

Para a nutricionista Cinthia Parisi, o índice de mulheres com sobrepeso registrado em Franca é alto. O principal problema, segundo ela, está na falta de informação das pessoas mais pobres. “Nas faixas mais baixas de renda, é comum as pessoas abrirem mão de frutas e verduras para comer carboidratos (massas e pães) e gorduras (frituras), o que acaba aumentando o peso. Elas comem o que é mais prático e se esquecem dos principais elementos de uma dieta saudável. Além disso, as pessoas mais pobres não têm o costume ou as condições ideais para variar o cardápio”.

A Secretaria de Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, afirmou que trabalhos de prevenção e controle da obesidade voltados para a população mais pobre e jovem já estão sendo feitos. Para ele, o número registrado na cidade é elevado.