10 de julho de 2026

CPI da Pedofilia vai pedir o indiciamento do Padre Dé


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RELATÓRO FINAL - Imagem de arquivo mostra o padre Dé durante entrevista coletiva em abril deste ano. Religioso nega acusações e tem harbeas corpus que o dá direito de silêncio

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pedofilia vai pedir o indiciamento do padre José Afonso Dé, 75, ex-vigário da Paróquia São Vicente de Paulo, à Polícia Federal. A confirmação foi dada ontem pela assessoria do senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI que está em viagem para Montevidéu no Uruguai. Padre Dé, que desde março está afastado de suas funções na Diocese de Franca, é acusado dos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude contra adolescentes, entre 13 e 16 anos, frequentadores da paróquia.

O pedido indiciamento ocorrerá com o encerramento das atividades da CPI marcada para 22 de dezembro, independente do padre ser ouvido ou não pelos senadores. Segundo a assessoria do senador Magno Malta, com o fim dos trabalhos um relatório será encaminhado ao Ministério Público Federal para que o órgão faça o pedido da abertura de inquérito na Polícia Federal. “A CPI vai fazer um esforço para ouvi-lo, mas, em razão do prazo, pode não dar tempo, porém mesmo se não for ouvido ele será citado no relatório para o MP”, disse o coordenador de comunicação do senador, Renato Paoliello.

Se houver a convocação, a data deve ser definida dentro de duas semanas. “Já há provas suficientes, mas o depoimento é mais um elemento e, dependendo do que ele falar, a situação pode se agravar”. O indiciamento do Padre Dé não deve agravar sua situação, uma vez que ele já responde a processo pelos mesmos crimes na Justiça. O pedido é feito como forma de a CPI marcar posicionamento e demonstrar que acredita na culpa do religioso.

Desde que o caso do Padre Dé se tornou público há setes meses, a CPI da Pedofilia anunciou que convocaria o padre para depor e viria à cidade para ouvir os envolvidos. A promessa não foi cumprida. O senador Romeu Tuma (PTB), vice-presidente da CPI, morto em outubro, chegou a vir à cidade e se encontrar com a delegada Graciela Ambrósio para levantar informações sobre as acusações. Na ocasião, o senador declarou que tinha a convicção da culpa do padre.

No começo de outubro, a secretaria da CPI em Brasília informou que os trabalhos da comissão seriam encerrados em novembro e que não havia perspectiva para a realização das oitivas em Franca. Entre os principais fatores que teriam atrapalhado o prosseguimento das investigações, estariam a Copa do Mundo, o período eleitoral (que deixou o Congresso Nacional em recesso, sem sessões regulares) e a doença do senador Romeu Tuma, que morreu no fim daquele mês.

No dia 10 de novembro, um dia antes do encerramento da CPI, o senador Magno Malta prorrogou sua duração até dezembro. A justificativa foi que os trabalhos da comissão teriam sido prejudicados por conta da realização do segundo turno das eleições.

Há uma semana, o senador revelou novamente que marcaria a data para ouvir o padre em Brasília, mas até ontem a oitiva ainda não havia sido agendada na secretaria da CPI. “O caso é emblemático e é preciso dar uma resposta à sociedade”, declarou o senador à imprensa na oportunidade.