11 de julho de 2026

Estudante consegue ficar no palco com o seu ídolo Paul McCartney


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Camila Dias França exibe faixa improvisada em uma fronha: Paul leu e chamou a estudante ao palco

Até onde vai o amor de um fã por um artista? Que loucura uma pessoa é capaz de cometer para chegar perto do seu ídolo? Somente um fã apaixonado pode responder a essas perguntas. E só ele sabe descrever a emoção de falar e abraçar aquela pessoa que só conhecia pela TV ou internet. A estudante Camila Dias França, 18, é uma destas fãs que conhece as respostas para essas perguntas. No último dia 22 de novembro, Camila falou e abraçou o cantor Paul McCartney durante o show em São Paulo. Ela e mais quatro meninas foram convidadas pela produção para subir ao palco durante a apresentação. Mas como ela conseguiu? Foi pura sorte? Não exatamente. Como toda fã, a estudante “trabalhou duro” para conseguir chamar atenção.

Camila, que morou em Franca dos 2 aos 15 anos com a família e hoje estuda na Capital, conta que os preparativos começaram quase dois meses antes do show, quando ela viu um cartaz na rua confirmando a apresentação de Paul McCartney no Brasil. Como os ingressos da pré-venda somente eram vendidos para quem tinha cartão de uma determinada agência bancária, Camila não pensou duas vezes. “Abri uma conta no banco para pedir o cartão. Como no dia estava em Franca, não consegui comprar e tive que esperar abrir as vendas para o segundo show. Dormi na fila do Estádio do Pacaembu com uma amiga para conseguir comprar”, disse.

O segundo passo era garantir um lugar bem perto do palco. Camila e a amiga foram para o estádio quatro dias antes do show. Em menos de duas horas, começaram a chegar outros fãs com barracas, colchões e a tralha completa para enfrentar a maratona. “Fizemos um sistema de revezamento. Uns dormiam lá enquanto outros iam para casa. Foi muito cansativo, durante o dia fazia muito calor, ficávamos com muita sede, fome e sono. O pessoal improvisava um banheiro onde fosse possível, trocavam de roupa dentro da barraca e pediam casas emprestadas para tomar banho. Como eu moro bem próximo do estádio, eu ficava responsável por buscar comida e encher as garrafas de água. Também emprestei minha casa para tomarem banho”.

E fã que é fã sabe como arrumar uns contatos. Camila e as amigas que fez na fila descobriram com alguém de dentro do hotel o horário em que a banda ia se hospedar. “Como era aniversário de uma amiga nossa, juntamos o útil ao agradável e fomos comemorar no bar do hotel. Do nosso lado, havia duas mesas com um pessoal conversando em inglês britânico e desconfiamos que podiam ter algo a ver com o show”. E não é que era? “Minha amiga, que fala um inglês mais fluente, começou a conversar com eles e ficamos muito amigos. Conversamos durante toda a noite, sobre o Brasil, samba... No hotel não vimos o Paul que estava em uma festa particular de aniversário da namorada dele”.

E a expectativa de Camila só aumentava. E como se não bastasse, ela ainda teve vestibular. “Não sei como consegui fazer aquela prova, um frio na barriga e a ansiedade que dava até dor de estômago. Depois voltei para a fila”. Toda a canseira valeu a pena. Dia 22 de novembro, às 17h40, os portões se abriram. Os mais de 60 mil fãs puderam enfim se aproximar do local do show. Camila e as amigas dispararam até a grade em frente ao palco.

Por determinação dos organizadores, ninguém poderia entrar no recinto carregando faixas. Mas, fã dá seu jeitinho. Enquanto esperava, elas aproveitaram para escrever em uma fronha a frase: “Let us hug u so we’ll b sure you’re real” (“Deixe a gente te abraçar, assim teremos certeza que você é real”). E não é que deu certo. O show começou às 21h42. Elas ficaram a 1,5 metro do palco. “A vista foi inexplicável, ele estava muito perto da gente e durante todo o show, piscava, fazia caretas, apontava e sorria para mim e para a minha amiga que segurava a fronha comigo. No final do show, quando ele tocava o primeiro bis, dois homens da produção chegaram em nós e falaram: “One, two, three, four girls, come on!” e começaram a nos tirar da pista. Não acreditei, minha pressão caiu e me segurei para não cair no chão, liguei para o meu pai, acordei ele gritando: ‘Pai, eu vou subir no palco! Eu vou ver ele, o Paul!’. Ele me acalmou e pediu para eu respirar fundo, se não eu iria desmaiar”.

As meninas ficaram um minuto e meio em cima do palco. “Quando o abracei, ele disse: ‘Yeah, i’m real, girl’ (‘Sim, sou real, garota’) e respondi: ‘No I do not believe, Paul’ (‘Não acredito, Paul’). Quando se afastou de mim, brincou dando um beliscão em si mesmo para provar que era real. Não consegui tirar os olhos dos olhos dele. Ele é e foi muito simpático e carinhoso, nos ter chamado no palco já foi uma prova disso. Foi surpresa, eu nem imaginava, até mesmo porque já estava no final do show. A melhor surpresa da minha vida que vai ficar para sempre gravada”.

Quando as meninas desceram do palco, eram pura emoção. “Choramos, gritamos, também pulamos muito e agradecemos pelo tinha acabado de nos acontecer. Parecia um sonho... Na verdade, ainda parece”.

Veja um pouco da emoção que Camila sentiu durante os quase dois minutos que ficou ao lado do ídolo.