“Existe uma sintonia que se bifurca no sentimento que tenho por Franca. Eu sou daqueles que vê uma cidade anterior estruturando a cidade que nós temos hoje. E o que amo de verdade na cidade em que me fiz e onde construí minha família é a capacidade de realização da gente que viu oportunidade onde existiam efetivas dificuldades. A Franca que vejo é a cidade dos destemidos empreendedores, que a custa de inúmeros sacrifícios ofereceram uma cidade melhor para todos nós. Do tempo que estudei no IETC (Torquato Caleiro) para cá a cidade cresceu no mínimo seis vezes em tamanho e população.
É nostálgico perceber a Franca anterior dando base a quase metrópole que temos hoje. A Franca da minha juventude não existe mais, mas vai existir para sempre em lembranças motivadoras e incentivadoras de novas e ousadas iniciativas. Das arquibancadas do Palmeirinhas, lá na Rua Santos Pereira, eu via a Chácara das Freiras e a Chácara dos Padres. Se voltar ali, vou ver o Terminal Rodoviário, mas abaixo vou ver a Câmara Municipal e mais acima vou ver o Estádio Municipal.
E eu amo este sentimento que não sei explicar de ter conhecido imensos terrenos e hoje ver um pujante progresso. Do Terminal Rodoviário, no passado, eu via os brejos alagados do córrego que foi canalizado sob a terra. Hoje eu vejo o Teatro Municipal, o Uni-Facef, dos dois lados da avenida e a Faculdade de Direito onde antes os jovens jogavam bola no campo das galinhas.
Eu amo a transformação sem desgostar do meu sentimento de nostalgia. Onde hoje está o Fórum era um brejo de tábuas e o córrego do Cubatão seguia em ziguezague. Ás vezes sonolento, outras vezes apressado, povoado com seus peixes e rãs o curso onde hoje existe a Avenida Dr Ismael Alonso y Alonso implantada por Hélio Palermo, Maurício Sandoval Ribeiro, Sidnei Rocha e Ari Balieiro.
Como me dá alegria ver a Avenida Champagnat de pista dupla e me lembrar da rua de passagem de um carro só e que terminava onde hoje está a rotatória. Dali para cima, em direção a Avenida Miguel Sábio de Mello, onde está a pujante avenida dos bares e estabelecimentos comerciais, eu me lembro da estradinha de terra que não permitia a passagem dos veículos quando chovia.
A cidade praticamente acabava na passagem do córrego Espraiado, onde existia o Curtume Progresso e pouco antes a famosa venda do Quirino, mas agora existe outra Franca que só acaba muito além das vistas. Conheci o descampado onde hoje existe o Poliesportivo, o Batalhão da Polícia e o pavilhão da Francal. Obras que mudaram o cenário daquela região. E como amo mesclar a visão nostálgica com a vibração da Franca de hoje.
A cidade em que iniciei meu ginásio tinha poucas ruas abaixo do Cemitério da Saudade. Mais ao seu final, os barrancos que caiam para dentro do córrego traziam os brejos alagados onde os jovens como eu iam bater peneira para pescar cascudos e pequenos bagres.
Onde antes eu via barranco eu vejo a pujança do Complexo Galo Branco, os supermercados e o Franca Shopping. Onde antes eu via perigo, agora vejo uma rodovia de pistas duplas, imensos viadutos e pontilhões dando segurança aos pedestres e motoristas.
Conheci o Bairro São Joaquim quando aquela área era um imenso campo de capim barba de bode e o que vejo hoje é uma cidade rodeando um hospital que a família Spereta me deu a oportunidade de construir junto com o grupo de médicos amigos.
E o sentimento que brota de meu peito é de imensa satisfação. E o que falar do Distrito Industrial? Possível na extensão do Bairro São Joaquim colocando Franca anos a frente. Quando sigo pela rodovia para adentrar o Parque Vicente Leporace vejo uma imensa Fazenda do Rosinha transformada numa nova cidade, grande, convidativa, disciplinada, ordeira e trabalhadora.
Que amo neste tempo é a sensação de olhar capelas e ver imensas igrejas, olhar casas de saúde e ver hospitais esbanjando tecnologia e calor humano para minorar o sofrimento das pessoas. Amo do fundo de meu coração olhar as pequenas escolas e ver imensas universidades. Ouvir da minha casa a vibração dos torcedores nas vitórias do basquete francano dos desbravadores. Amo, e carrego comigo a certeza do amor eterno, uma Franca que se renova a cada amanhecer e adormece diferente. Ainda temos muito a fazer, mas com amor teremos uma cidade que se equilibra no progresso, na prosperidade, na harmonia, na paz e na justiça social”.
Joaquim Pereira Ribeiro, presidente da Câmara de Vereadores de Franca