09 de julho de 2026

‘Boom’ imobiliário marca o crescimento de Franca


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MAIS VERTICAL - Vista geral de Franca mostra dois prédios com mais de dez andares em construção. Levantamento da Prefeitura aponta que 35 obras como essas em andamento no município

Franca chega neste domingo aos seus 186 anos e não para de crescer. Um levantamento feito pela Secretaria de Urbanismo e Habitação mostra que, atualmente, há pelo menos 135 prédios em construção na cidade. Entre blocos menores (sem necessidade de elevadores) e torres com mais de dez andares, eles começam a mudar o cenário do município e confirmam, segundo as construtoras e especialistas, uma tendência à verticalização.

Para a secretária da pasta, Valéria Marson, o “boom” é resultado de uma série de fatores, que vão desde a confiança na administração da cidade até a busca por segurança. Soma-se a esses fatores, a localização e também a procura por um investimento imobiliário. A maioria dos empreendimentos é erguida na região central da cidade. “Para o município, é bom, pois os condomínios ficam próximos da prestação de serviços como escolas e unidades de saúde. Já quando as construções são horizontais encarecem mais, pois precisamos nos preocupar com transporte, rede de esgoto, energia elétrica e asfalto”.

Segundo o levantamento, somente de prédios menores com até quatro pavimentos e que dispensam o uso de elevadores, são cem unidades de blocos familiares, consideradas mais populares. Os outros 35 empreendimentos, que correspondem a 26% do total, são construções maiores, com mais de dez andares. Destes, 13 estão em acabamento, nove em fase de construção (mais da metade construído), sete no começo das obras e seis com as plantas aprovadas, aguardando o início dos trabalhos.

Em atuação na cidade desde 2000, a MRV lançou 14 condomínios populares neste período, todos verticais. O menor com quatro blocos e o maior, ainda em fase de construção no Bairro São José e Vila Santa Cruz, terá 44 unidades. Cada bloco possui em média 16 apartamentos. “O que ocorre em Franca é um adensamento dos imóveis. As pessoas estão procurando por segurança e moradia mais barata, porém precisam estar preparadas para a vida em grupo e relações mais próximas”, disse a professora do curso de arquitetura da Unifran, Maria Cecília Sodré Fuentes.

Especializada em planejamento urbano, a professora disse também que todas essas construções ocorrem por incremento do setor imobiliário. “A cidade é muito estendida para a periferia e agora tem um investimento em prédios verticais. Trata-se de uma tendência que também ocorre em outras cidades. Uma dinâmica da construção civil”.

Para Tainan Lopes, gerente de projeto da CV Lopes, os prédios começaram a ser construídos por uma exigência de mercado. Só neste ano, a construtora passou a erguer dois novos prédios, além de ter outros 12 em andamento. O décimo quinto deve entrar em construção a partir do primeiro semestre de 2011. Todos os edifícios são voltados para a classe média alta e têm em média 15 andares e 60 apartamentos. “Há cinco anos percebemos que havia uma demanda por prédios verticais. São empresários e famílias que procuram o imóvel por segurança e como investimento”. Segundo Lopes, os apartamentos são vendidos em média por R$ 170 mil na planta e no final da obra chegam a valer pelo menos R$ 310 mil. “Temos muitos investidores de fora, por isso acredito que as construções de prédios verticais vão continuar. Com certeza cabem mais, mesmo se não houver espaços vazios”.