O funcionário de uma empresa de dublagem de 25 anos e o irmão dele, desempregado de 23 anos, ambos moradores na zona Sul, foram presos na tarde de ontem, depois de indiciados pelo estupro de uma criança de quatro anos, residente na zona Norte. A vítima, que é filha do dublador e sobrinha do desempregado, teria sofrido abuso sexual no dia 14 de novembro. Exames no IML (Instituto Médico Legal) comprovaram tentativas de conjunção carnal e coito anal. Com base no depoimento da menina e nos exames, a delegada Graciela David Ambrósio, titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), conseguiu junto à Justiça a prisão preventiva dos irmãos.
A denúncia de estupro foi registrada na noite do dia 14 de novembro no Plantão Policial. Segundo a mãe, a filha ia para a casa do pai nos finais de semana e retornava no domingo, pontualmente às 18 horas. Naquele dia, sem explicar os motivos, o pai devolveu a filha por volta das 16 horas, o que chamou a atenção da ex-mulher.
A criança chegou reclamando de dores nas partes íntimas. A mãe examinou, notou a presença de ferimentos e procurou a polícia. O caso foi registrado no Plantão e a vítima encaminhada para exames de corpo de delito no IML na mesma noite. O médico legista confirmou tentativas de conjunção carnal e coito anal, o que obrigou a polícia a comunicar o Conselho Tutelar.
A ocorrência foi encaminhada à DDM dois dias depois em razão do feriado do dia 15 de novembro. A delegada Graciela intimou a mãe junto com a filha. Em seu depoimento, a menina disse que foi levada pelos dois a um “shopping”, mas que no local tinha cama, banheiro e geladeira de “criança”. Ainda de acordo com o relato da vítima, depois de retirar sua roupa, o pai, junto com o tio, também ficaram sem roupas. Com vergonha do que ocorria, a criança disse que ficou o tempo todo de olhos fechados e só sentiu “agulhas” lhe espetando.
“Nestes casos temos que confiar no laudo de exame de corpo de delito e também na palavra da criança, que em nenhum momento entrou em contradição”, afirmou a delegada. Os irmãos, segundo Graciela, foram indiciados com base no depoimento da vítima, circunstâncias e avaliação psicológica. “Pelos elementos que tenho de convicção, estou certa de que houve a participação e estou indiciando os dois”.
O dublador e o desempregado negaram o crime e acusaram a mãe da menina de estar fazendo acusações falsas. A delegada requisitou a prisão temporária dos indiciados, válida por no máximo 30 dias. No entanto, a Justiça, por entender que o caso é grave, expediu mandado de prisão preventiva, que pode levar os irmãos a ficarem presos até o julgamento do caso.