08 de julho de 2026

Pôr do Sol


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Pedro corria pela praça fugindo da mãe. Por onde o menino passava aos prantos, os pombos se dispersavam. Seu coração pulsava ao som do sino da catedral. Ao ver que a mãe o alcançaria, o garotinho astuto escondeu-se atrás da concha acústica. Em vão. A mãe o encontrou.

- Mãe, eu não quero ir! Dizia o Pedro chorando.

- Vamos, Pedro! Deixe de ser manhoso! Não podemos viajar muito tarde!

Pedro respirou fundo e olhou para o alto da catedral como se tivesse que dizer adeus. Voltou-se para a mãe, um pouco mais calmo, embora ainda com lágrimas em seu rosto, depois de olhar bem ao seu redor:

- Mãe, escuta...

- Diga, meu filho. - A mãe abaixou-se para escutar o menino olhando em seus olhos.

- No lugar para onde iremos teremos pombinhos felizes em torno do relógio do sol, como aqui?

- Filho - respondeu a mãe, calmamente - Nos mudaremos para uma cidade diferente...

Pedro sentou se apoiando na concha acústica:

- Tudo bem, mamãe. Mas posso ficar sentado aqui até que o sol se ponha? Só agora...

A mãe abraçou o filho e sorriu:

- Pode, filho. Pode sim.

O jovenzinho escutou o som do sino da matriz. Parecia que seria a última vez que ele estaria diante daquela praça repleta de pessoas alegres e que não tinham que ir embora. "Que sorte, a delas!" - Pensava Pedro.

Após o pôr do sol, o menino entrou no carro do pai. Olhando pelo vidro, via a praça ficando cada vez mais longe enquanto a cidade também ia sumindo no horizonte. Até que desapareceu aos seus olhos. Sua mãe olhou pelo espelho retrovisor. Pedro havia dormido no banco de trás. Por um momento, o menino sorriu enquanto dormia. Talvez estivesse sonhando que já não iria mais embora. Que ficaria para sempre naquela cidade onde o sol se fazia mais belo. Onde tudo era mais bonito.

Pedro amava aquela terra. Ao partir, deixou uma parte de sua alma sentada no banco daquela praça e um dia ele voltaria para buscá-la.

*** 

Ainda ontem encontrei o senhor Pedro sentado em um banquinho na praça. Ao ver seu netinho dando seus primeiros passos por entre os pombinhos perto da fonte, ele escutava com admiração o som do sino da matriz: 

- A cada dia que passa o toque desse sino fica ainda mais sublime! - Comentou sob um suspiro seguido de um sorriso de satisfação.

Sua esposa, então, o chamou de longe:

- Pedro! O ônibus que vai para Cristais sairá do terminal daqui a dez minutos! Temos que voltar!

O senhor Pedro levantou-se repentinamente e escondeu-se atrás da concha acústica. Ao ser encontrado pela mulher anunciou:

- Daqui eu não saio, Filó! Não antes de ver o sol se pôr!