08 de julho de 2026

Águas e algas de aragem


| Tempo de leitura: 1 min

Eny Miranda
Médica, poeta e cronista


Muito além dos mundos que se equilibram nos trampolins do céu; além de mil universos que se cruzam e se confundem nos infinitos do infinito, existe um espaço de ares e azuis intermináveis, onde densidade é transparência, carne é suspiro, ação é pensamento. Lá, oceano de cristais, águas e algas de aragem, mar de sopros semoventes, síntese sonora de cantos de sereias e cores de sargaços; lá, onde vazio é plenitude, silêncio é música, luz é íris, afogam-se de beleza as almas poetas. Por entre labirintos de Hipnos e sentinelas de Morfeu, levados por Bóreas e Nótus, Eurus e Zéfiro, flutuam, “suspensos, soltos, como grandes algas” nos méis do Elba e do Reno, boiam, como grandes luas nos sais do Mármara, ondulam, como as Ondinas e as “Nixes da água furtacor...” de Guimarães Rosa, os amantes da poesia.