11 de julho de 2026

Anita, a viúva de Humberto Minervino, relembra o marido


| Tempo de leitura: 2 min
Ana Musa Minervino, a Anita, hoje com 92 anos, foi casada com Humberto Luiz Minervino, um dos proprietários da Marmoraria Irmãos Minervino, famosa pela fabricação de túmulos de mármore

Dos quatro irmãos sócios da marmoraria, Humberto Luiz Minervino cuidava da parte de escritório e era representante comercial da empresa. Viajava com frequência para vender as peças, especialmente túmulos de mármore. Foi justamente dentro do trem, numa viagem a negócios, que Ana Musa Minervino, a Anita, hoje com 92 anos, cruzou o caminho dele. O bate-papo no vagão acabou em casamento.

Na época, Anita estava com 21 anos e, como bem lembra, não era comum que moças viajassem sozinhas naquela época, mas ela conseguiu esse feito. Havia saído da cidade em que morava, Pouso Alto, para visitar o irmão em Araguari. Foi então que conheceu Humberto no dia 29 de maio de 1940. Ela se lembra do dia, mês e ano, afinal, no mesmo dia e mês, um ano depois, os dois se casaram, em Aparecida. Tiveram cinco filhos. Ana Maria, Ana Cristina, Ana Tereza (já falecida), Ana Beatriz (já falecida) e Rafael.

A família morou em Franca. Anita se mudou de Pouso Alto para a Terra das Três Colinas assim que se casou. Ela lembra detalhes da Franca daquela época. “Não conhecia Franca nem de nome. Perto da minha, aqui era uma capital. Em Pouso tinha só seis ruas”.

Embora maior, na década de 40, a cidade estava muito diferente dos dias de hoje. O Córrego Cubatão que hoje passa em frente à casa da filha mais velha, na Avenida Ismael Alonso Y Alonso, foi completamente transformado. “Tinha pinguela nesse córrego e a gente atravessava e ia na chácara chupar jabuticaba. Era tudo mato. Lembro com saudade daquele tempo”.

Anita fica impressionada com o crescimento da cidade. “Hoje está muito grande. Quando saio de carro com minha filha, fico admirada. Quando vim para Franca, a cidade acabava no Champagnat”.

RELÍQUIAS

Os Minervino nasceram com o dom para trabalhos manuais. Humberto aprendeu sozinho a fazer esculturas em madeira e José em mármore. Anita se lembra da cena que presenciava praticamente todas as tardes em sua casa. Era comum o marido - Humberto - chegar do trabalho em casa, colocar uma camiseta e bermuda e no quarto dos fundos talhar a madeira até se tornar obra de arte. Após sua morte, em 1980, os familiares herdaram as santas ceias que esculpiu com riqueza de detalhes. Uma delas foi feita em fevereiro de 1974 e decora a casa da primogênita do casal, Ana Maria. “É uma obra de arte”, diz Anita.