11 de julho de 2026

Especial: a história da famosa Marmoraria Irmãos Minervino


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Ana Musa Minervino, a Anita, foi casada com Humberto Luiz Minervino, um dos proprietários da Marmoraria Irmãos Minervino, famosa pela fabricação de túmulos de mármore na cidade

O casal Rafael e Rosina Minervino resolveu deixar a Itália para morar no Brasil no final do século. No trajeto, feito de navio, nasceu o primeiro dos sete filhos que tiveram: o Guerino. A família se instalou em São Paulo, mas foi em terras francanas que quatro herdeiros decidiram se unir e montar uma empresa. A Marmoraria Artística Irmãos Minervino foi inaugurada em 1929 e funcionou num amplo prédio na Rua do Comércio, em Franca, por mais de 50 anos. Ficou famosa por fabricar túmulos, mesas e esculturas de mármore e granito. As obras dos irmãos Guerino, João, José (Giusepe) e Humberto e a história de Franca se cruzam.

Os quatro não estão mais presentes para contar sobre o ofício que escolheram e garantiu o sustento de seus filhos, mas Ana Musa Minervino, de 92 anos, mais conhecida como Anita, fala da marmoraria com a propriedade de quem viveu quase 40 anos ao lado de um dos irmãos Minervino, Humberto Luiz, que morreu em 1980, vítima de parada cardíaca. “O Humberto era apaixonado pelo trabalho dele”, diz Anita.

Jazigos, cruzes e esculturas no Cemitério da Saudade de Franca, pisos, peitoris e escadarias de cerâmica nas casas eternizam os trabalhos dos irmãos. Pequenas placas, instaladas nos túmulos, com os dizeres “Marmoraria Irmãos Minervino - Mármores e Granitos, Franca - Estado de São Paulo”, creditam o trabalho a eles. Além de Franca, os produtos Minervino perpetuam o nome da família em outros territórios, em especial cidades do Sul de Minas e Goiás, mas as obras chegaram até a Bahia, Rio de Janeiro e Paraná. O carro chefe da indústria eram os jazigos, mas outros produtos lhe renderam fama. Em Claraval, a 25 quilômetros de Franca, o piso e mesa do imponente Mosteiro Cisterciense “nasceram” pelas mãos dos Minervino, segundo a professora aposentada Marina Minervino Mussi, 73, filha de José Francisco Minervino, que morreu há dez anos e foi um dos sócios da firma.

No Estado de São Paulo, clientes não francanos fizeram suas encomendas. Marina relembra que a tradicional família Calil, de Ribeirão Preto, comprou da empresa de seu pai um túmulo diferente. “Um deles era tio da minha mãe e comprou esculturas para o túmulo que representavam a fuga do Egito, retratada na Bíblia. Há a Nossa Senhora sentada num burrinho com menino Jesus e São José em pé, que o papai fez em tamanho real, de um adulto”. O pai moldou com gesso e enviou para uma empresa de São Paulo confeccionar os personagens em bronze. A produção fez sucesso. “Quando foi levado para Ribeirão foi um acontecimento, o pessoal fazia fila para visitar o túmulo”, disse Marina.

Ao longo de meio século de existência, os Irmãos Minervino não fabricaram peças apenas para clientes particulares. O monumento do Soldado Constitucionalista instalado na Praça Nove de Julho em homenagem aos francanos que lutaram na Revolução de 1932 foi executado pelos Minervino. Uma placa, camuflada pelas plantas à esquerda da escultura, revela a autoria. A obra foi inaugurada em 25 de janeiro de 1938 e relembra o movimento armado que ocorreu no Estado de São Paulo com o objetivo de derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e criar uma nova Constituição para o País. Dos 700 francanos que lutaram no conflito, nove morreram: Mário Mazini, Otacílio Dias Fernandes, José Rufino, Hermes Moura Borges, Jaime Barbosa, José Ferreira, Adriano Cintra, Arnaldo Vilhena e João Batista de Araújo.

A Marmoraria, segundo familiares, foi vendida em 1981, após a morte de Humberto. “Meu marido morreu e já no ano seguinte a marmoraria foi vendida porque não tinha quem ficasse com a firma. Quem comprou, logo a desativou e transformou em outra coisa”, relembra Anita.