08 de julho de 2026

Dilma pensa diferente


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Ao contrário do que se pensava, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não será mantido no cargo. A presidente eleita Dilma Rousseff já bateu o martelo em relação ao assunto - e deve anunciar novo nome para o BC ainda nesta semana -, aborrecida com o fato de Meirelles ter usado a imprensa a fim de impor condições para ficar no BC. Dois nomes estão na mesa da presidente eleita para sucedê-lo: Nelson Barbosa, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e Alexandre Tombini, atual diretor de Normas do BC. Meirelles exige que Dilma mantenha a autonomia da instituição para definir a taxa básica de juros (Selic). Ao agir assim, o presidente do BC indicou ao mercado que, sem ele à frente do BC, a política monetária será afrouxada, mesmo em momentos de riscos inflacionários, como os registrados atualmente.

As especulações em torno da permanência ou não de Meirelles no cargo de presidente do BC cresceram após o convite feito a Guido Mantega para permanecer à frente do Ministério da Fazenda. Ele aceitou o pedido. Participantes do mercado defendiam a permanência de Meirelles no cargo como contraponto ao ministro da Fazenda e a uma política fiscal menos rigorosa. Na chefia do BC desde janeiro de 2003, Meirelles foi o presidente que ficou por mais tempo no cargo. Com atuação no combate à inflação sempre elogiada, ganhou ainda mais destaque na coordenação, junto com Mantega, do combate aos efeitos da crise financeira global. Porém, Dilma Rousseff já deixou claro que pretende conduzir pessoalmente as ações da economia brasileira assim que tomar posse. Para ela, que também é economista, manter os juros altos para combater a escalada inflacionária não é o caminho. Falta apenas saber qual será a diretriz tomada a partir de primeiro de janeiro. Isso demonstra que a política econômica do governo não deverá seguir a direção patrocinada por Luiz Inácio Lula da Silva. Afinal, Guido Mantega também não reza pela mesma cartilha de Meirelles.

Percebe-se que, mesmo tendo sido eleita pregando a continuidade do governo de Lula, Dilma Rousseff tem uma noção clara do que pretende e vai mudar o que acha que não vem funcionando. Deverá manter alguns poucos ministros (como Mantega), numa deferência aos pedidos de Lula. Também já sinalizou que não pretende ficar refém dos partidos que a apoiaram na campanha eleitoral e pode, em alguns postos, trocar as indicações políticas por um técnico. Só de uma coisa não abre mão: levar Antonio Palocci para um superministério a ser criado, fundindo a Casa Civil, Secretaria Geral da Presidência e o ministério de Relações Institucionais. Já José Eduardo Cardozo (que abriu mão de uma nova candidatura à Câmara dos Deputados para assessorar a petista na campanha eleitoral) vai para o Ministério da Justiça. Alguns assessores diretos de Lula devem ganhar um cargo de menor expressão, como Gilberto Carvalho - chefe de gabinete do atual presidente -, que pode ir para uma assessoria voltada aos movimentos sociais e ao relacionamento com movimentos religiosos. Percebe-se, assim, que Dilma pretende imprimir a sua marca no governo e, pelo andar da carruagem, deve ainda promover outras mudanças profundas à medida em que o tempo passar.