Se o Brasil se diz democrático temos direito ao contraditório, embora algumas pessoas e alguns partidos políticos, depois de pregarem a ética, ficaram profissionais em desconstruir a verdade. Quero dizer ao articulista Cassiano Pimentel, que grafou em seu texto de 12 de novembro, neste jornal – “o discurso raivoso desenvolvido na campanha do PSDB que, de forma eloquente, dividiu o Brasil entre pobres e analfabetos do Norte/Nordeste e ricos e alfabetizados do Sul/Sudeste” –, para que junte e leia todos os discursos que nosso “guru” presidente – que, na função de Presidente deveria ser um estadista – fez ao lado da candidata oficial nas regiões Norte/Nordeste. Gostaria que o articulista esquecesse um pouco que faz parte do PT e (lembrasse) que nasceu e mora aqui na região sudeste, não só em São Paulo, não só em Franca, olhasse com neutralidade esses discursos e, depois, dissesse, se lhe fosse possível, de quem é o preconceito. Minha opinião sobre quem dividiu o Brasil acho que ele vai permitir que eu expresse. Alguém que é o Presidente de uma nação, o máximo mandatário, não pode nunca se tornar cabo eleitoral, e raivoso a ponto de pedir o fim de partidos. Deveria ser um estadista, com nobreza. Não foi o que vimos. Essa é minha opinião de mero francano (...). Trabalho desde os 15 anos, não dependo de bolsa nenhuma, nem de bolsa voto. E olha que já ajudei muitas pessoas e nunca perguntei onde nasceram. Fui a favor das diretas, chorei quando Tancredo morreu e vi o PT não assinar nossa Constituição que o Brasil tanto merecia. Vi o PT ser contra o Plano Real e vi o PT rebatizar o Bolsa Educação/Escola e não contar de quem era a autoria. Então, de quem é o preconceito? Talvez, vindo de mim esse comentário, Cassiano não leve a sério, mas estou transcrevendo o ponto de vista de uma professora, Janaína Conceição Paschoal, livre docente e doutora em Direito Penal pela Universidade de São Paulo; professora associada de Direito Penal na Universidade de São Paulo e advogada, (...) mais culta que eu, publicado na Folha de São Paulo, e agregado ao “Blog do Noblat”, do jornal O Globo: “É o nosso presidente quem faz questão de separar o Brasil em Norte e Sul. É ele quem faz questão de cindir o povo brasileiro em pobres e ricos. Infelizmente, é o líder máximo da nação que continua utilizando o factoide elite, devendo-se destacar que faz parte da estigmatizada elite apenas quem está contra o governo”. Falo nela para que não digam que se trata de coisa de inimigo político. Eu não sou, e tenho pavor de quem constrói dossiês.
Antônio Roberto Torricilas
Franca - SP