“Sempre ficavam marcas no corpo da minha neta quando ela era agredida pela minha filha. Ela chorava e sentia muita dor”. O depoimento é de uma auxiliar de limpeza. Há três meses, ela passou a ter a guarda da neta, que sofria agressões da própria mãe. A avó lembra que a menina de nove anos já chegou a apanhar com uma mangueira, que retirou a pele de suas costas. A mulher ainda conta que sua filha perdia o controle emocional e partia para cima da garota sem qualquer motivo aparente. “A minha filha é muito nervosa. Minha neta ficou revoltada”.
Casos como o da menina de 9 anos têm diminuído em Franca. De acordo com estatísticas do Conselho Tutelar, o número de crianças vítimas de maus tratos caiu em 2010. De janeiro a setembro deste ano, 268 casos foram registrados na cidade, o que corresponde a uma queda de 25% em relação ao mesmo período de 2009, quando 357 ocorrências foram assinaladas. Os dados são referentes a agressões físicas e psicológicas sofridas por crianças e adolescentes em suas residências, escolas ou outro local devido a ações de familiares, vizinhos, professores e, inclusive, desconhecidos.
O Conselho Tutelar atribui a queda às recorrentes ações desenvolvidas pelas Secretarias de Saúde, Educação e assistentes sociais no sentido de conscientizar a população sobre a importância de respeitar o Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo a conselheira Gláucia Limonti, a tendência é de que o número de casos caia ainda mais na cidade. “Este trabalho conjunto é o principal responsável pelos resultados”, disse.
De acordo com a promotoria da Infância e da Juventude, a maioria dos casos de maus tratos está relacionada à negligência e displicência dos pais na educação dos filhos. O promotor Augusto de Arruda Neto diz que, apesar do número estar caindo, ainda é comum encontrar crianças com peso abaixo do ideal para a sua idade e com vacinas por receber. “O crime de maus tratos engloba várias situações e as sanções penais também variam a cada caso".
Livre das agressões, a menina de 9 anos diz não ter nenhuma vontade de voltar a viver com sua mãe. “Esta é a última coisa que quero na minha vida”, disse a garota. Para a avó, a situação poderia ser outra. “Fico muito triste. Mas eu preciso proteger a minha neta”.