11 de julho de 2026

Número de denúncias por maus tratos a crianças diminui em Franca


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INFÂNCIA E JUVENTUDE - O promotor Augusto de Arruda Neto acredita que o maior número de empregos na cidade influencia na queda dos casos de maus tratos

“Sempre ficavam marcas no corpo da minha neta quando ela era agredida pela minha filha. Ela chorava e sentia muita dor”. O depoimento é de uma auxiliar de limpeza. Há três meses, ela passou a ter a guarda da neta, que sofria agressões da própria mãe. A avó lembra que a menina de nove anos já chegou a apanhar com uma mangueira, que retirou a pele de suas costas. A mulher ainda conta que sua filha perdia o controle emocional e partia para cima da garota sem qualquer motivo aparente. “A minha filha é muito nervosa. Minha neta ficou revoltada”.

Casos como o da menina de 9 anos têm diminuído em Franca. De acordo com estatísticas do Conselho Tutelar, o número de crianças vítimas de maus tratos caiu em 2010. De janeiro a setembro deste ano, 268 casos foram registrados na cidade, o que corresponde a uma queda de 25% em relação ao mesmo período de 2009, quando 357 ocorrências foram assinaladas. Os dados são referentes a agressões físicas e psicológicas sofridas por crianças e adolescentes em suas residências, escolas ou outro local devido a ações de familiares, vizinhos, professores e, inclusive, desconhecidos.

O Conselho Tutelar atribui a queda às recorrentes ações desenvolvidas pelas Secretarias de Saúde, Educação e assistentes sociais no sentido de conscientizar a população sobre a importância de respeitar o Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo a conselheira Gláucia Limonti, a tendência é de que o número de casos caia ainda mais na cidade. “Este trabalho conjunto é o principal responsável pelos resultados”, disse.

De acordo com a promotoria da Infância e da Juventude, a maioria dos casos de maus tratos está relacionada à negligência e displicência dos pais na educação dos filhos. O promotor Augusto de Arruda Neto diz que, apesar do número estar caindo, ainda é comum encontrar crianças com peso abaixo do ideal para a sua idade e com vacinas por receber. “O crime de maus tratos engloba várias situações e as sanções penais também variam a cada caso". 

Livre das agressões, a menina de 9 anos diz não ter nenhuma vontade de voltar a viver com sua mãe. “Esta é a última coisa que quero na minha vida”, disse a garota. Para a avó, a situação poderia ser outra. “Fico muito triste. Mas eu preciso proteger a minha neta”.