A grande notícia da última semana (e que, aparentemente, ainda não foi esgotada, prevendo-se desdobramentos que podem extrapolar as páginas de economia e se aninhar nas páginas policiais) foi o rombo descoberto no banco PanAmericano, do Grupo Silvio Santos. A fraude, em valores acima de R$ 2,5 bilhões, seria suficiente para quebrar qualquer instituição financeira do País. Porém, a falência só foi evitada após o Grupo Silvio Santos assumir integralmente a responsabilidade pelo problema e oferecer os seus bens para conseguir um empréstimo nesse valor junto ao Fundo Garantidor de Crédito. Como o fundo é uma entidade privada, não houve utilização de recursos públicos. Além da troca no comando do banco, haverá agora uma investigação para apurar se houve crime e quem foram os beneficiados. Não está descartada a possibilidade de que o erro na contabilidade tenha sido cometido deliberadamente, com objetivo de favorecer os responsáveis com o pagamento de dividendos e bônus por desempenho.
A ação de Silvio Santos - rara no País, onde um empresário com problemas não recorre a dinheiro do governo e muito menos deixa a situação explodir no colo dos correntistas -, que pessoalmente negociou o empréstimo e colocou como garantia empresas que são consideradas o seu ‘xodó’, como o SBT e o Baú da Felicidade, não encontra paralelo em nenhum outro fato semelhante. Ele resolveu colocar a sua credibilidade à prova e, num primeiro momento, conseguiu: a garantia estancou a saída de clientes do PanAmericano, segundo funcionários da instituição. Silvio Santos - que de locutor da barca de Niterói chegou a ser o principal apresentador de programas de auditório no País, ascendendo para um empresário bem sucedido, com negócios que vão da rede de televisão à indústria de perfumaria, passando pelo banco e pelas lojas do Baú - mostrou, desta vez, que considera a sua imagem mais importante do que o seu patrimônio. Se ele não conseguir honrar o empréstimo, pode perder tudo que conseguiu em seus quase oitenta anos de vida. Isso se não for obrigado a abrir mão de suas ‘joias da coroa’ (o SBT, o PanAmericano e as lojas do Baú da Felicidade).
A investigação do rombo no PanAmericano, ainda em fase inicial, já aponta para o desvio de recursos por funcionários do banco. O foco agora está na área de cartões de crédito. Durante a investigação, diretores já demitidos admitiram que financiavam o saldo de devedores dos cartões em valores superiores à dívida real. Assim, o dinheiro que saía do caixa do banco era superior ao que os clientes financiavam. Do rombo total de R$ 2,5 bilhões do PanAmericano, R$ 400 milhões tiveram origem nos cartões. Ou seja, a investigação passa a ser policial, quando já se sabe que alguns diretores embolsaram recursos da instituição - e Silvio Santos pretende acioná-los civil e criminalmente. Nos dias de hoje, a atitude do homem do Baú deve ser louvada. Casos semelhantes não deveriam se repetir. Mas, se voltarem a acontecer, exigem atitudes imediatas para preservar correntistas e penalizar os responsáveis por quaisquer fraudes.