Os números do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) mostram que, mesmo com toda a evolução da cidade, o número de francanos vivendo na Zona Rural é quase o mesmo de 2000, quando 5.534 pessoas viviam em fazendas, sítios e chácaras. Dez anos depois, a contagem registrou 5,6 mil habitantes. Uma diferença de apenas 66 pessoas.
Para o agente recenseador Jorge Henrique Nogueira, que participou da contagem no campo, parte dos moradores da área rural preferem a vida na roça e não consegue se adaptar ao agito da cidade “por uma série de fatores, entre eles a violência, que no campo é menor, a tranquilidade e a questão financeira”.
A família de seu Valdenir Ferreira, de 58 anos, passou quase toda a vida no campo e resiste à ideia de ir para a cidade. Eles arrendaram um sítio de 13 alqueires próximo à divisa de Franca e Ribeirão Corrente, onde vivem há 25 anos. “Eu gosto mais é da roça. Aqui é mais tranquilo”, disse Valdenir.
O Censo também mostra que o número de habitantes por domicílio na zona rural diminuiu. Em 2000, eram 1.597 domicílios com uma média de 3,46 moradores por imóvel. Neste ano, o número de domicílios subiu para 2.916 e a média de moradores caiu para 1,9. Segundo a coordenadora do Censo 2010 na região de Franca, Miriam Spagnolo, estes números refletem um movimento de transferência que ocorreu em Franca. “Parte dos moradores de fazendas e sítios se mudou para a cidade e pessoas que moravam na área urbana foram para as chácaras”.
A coordenadora ainda diz que a maioria da população rural de Franca reside em chácaras. “Muitas pessoas buscam uma vida mais tanquila e saudável”. O aposentado Antônio Comparini, de 80 anos, foi um dos que optaram pela calmaria da vida no campo. Ele vive há 14 anos com a mulher em uma chácara entre Franca e Ibiraci.