Quando minhas filhas eram pequenas, me angustiava pensar que eu era imprescindível na vida delas e ao mesmo tempo era confortante saber disso.
Acredito que a maternidade traz uma satisfação incomensurável, mas traz também uma divisão, pois sempre ficamos culpadas quando temos que sair de cena na vida de nossos rebentos para ocupar o nosso lugar de profissional, mulher, amiga etc.
Minha filha mais velha está prestando vestibular, sonha em ser jornalista e alçar vôo pelo mundo. Na sua perspectiva, estudar fora é conquistar autonomia, se divertir e se “livrar” da presença dos pais. Acho que já pensei isso um dia, desejei existir sem dar nenhuma satisfação; neste momento da vida, levamos em consideração tudo que é da ordem do prazer e não estamos nem aí para as obrigações. Segundo minha querida e amada mãe: “Não se preocupe, pois a vida ensina.”
Minha filha caçula está debutando. Viagens conquistadas, viagem programada. Dias fora e nada de crise. Saudade? Mata-se quando chegar em casa. Aquela pequena que me pedia a mão para atravessar a rua, me pede hoje autorização para namorar, passear, viajar. Programas dos quais não posso mais participar.
Minhas meninas cresceram... É preciso muita coragem para colocar filhos no mundo. Lutamos para abrigá-los, protegê-los, amá-los e quando nos damos conta do tempo, percebemos que o mundo é o limite e não nós.
Sinto o peso de cada separação. Às vezes me pego saudosista, revendo fotos de viagens, momentos, datas festivas, onde quase tudo passava pelo meu crivo. E como eram bonitinhas minhas meninas...
Fazendo uma retrospectiva, consigo entender que foi importante não me esquecer dos sonhos que estavam presentes em minha bagagem. Hoje, o que seria de mim diante dessas “partidas”? O que faria com minha auto-estima ao saber que para elas as coisas mais interessantes estão fora de casa? O que faria com o meu tempo se este fosse de dedicação exclusiva a elas? Onde buscaria minha identidade?
Bem, minhas meninas, recado dado, amor vivenciado e valores exemplificados, resta-me a coragem para tentar realizar os sonhos não sonhados, lugares não visitados, cursos não realizados. O pai de vocês volta como protagonista de nossa história e é ele que segurará minha mão , me fará companhia e não mais vocês. Temos tempo ainda para algumas loucuras de amor. Por que não?
Minhas meninas cresceram.... “A hora do encontro é também despedida” e assim vamos enfrentando a vida, procurando sentido e motivação para seguir em frente. Mas sei que o mesmo trem de partida será um dia o trem da chegada. Espero vocês...