08 de julho de 2026

‘Soma’


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Nobre leitor, não se trata de realizar qualquer operação matemática no presente artigo. Soma é a droga que os habitantes do Admirável Mundo Novo tomavam quando se viam diante de uma situação de incerteza ou medo. O livro, escrito em 1932 por Aldous Huxley, aborda um novo projeto civilizacional posto em marcha através da destruição da religião, do conceito de família, de valores e de todas as conquistas da humanidade. Os habitantes desse ‘mundo’ são controlados biologicamente e psicologicamente. A liberdade não existe. O passado, o presente e o futuro se dissolvem num eterno movimento de conformismo e aceitação da vida como ela é.

A promiscuidade é a regra: ‘eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo o mundo é meu também’. O matrimônio, pai e mãe, se mencionados, são motivos para chacotas e troças. Tudo o que é intenso e prolongado é proibido pelo governante. Ninguém deve se apaixonar, nem manter relação de amizade duradoura. Os homens não têm esposas nem filhos. As crianças não são geradas, são decantadas num laboratório.

O estado disponibilizava cinemas onde a platéia interagia de tal forma que participava até dos movimentos, sentia sabores e cheiros que vinham da grande tela. A depressão, a angústia, as dúvidas eram tratadas quimicamente com altas doses de soma, a droga legalizada e distribuída na rede pública que dissipava conflitos, acabava com as dúvidas, impedia as críticas e proporcionava a felicidade universal.

Nessa sociedade era proibido qualquer vínculo com o passado. Os museus foram todos fechados, os monumentos históricos e os livros de História publicados antes de 150 d.F, todos destruídos, Deus não existia. Para eles, o conceito de Deus é incompatível com as máquinas, com a biotecnologia e com a engenharia genética. Deus se tornou indesejável numa sociedade onde não se conhecia a infelicidade. As pessoas que adquiriam uma demasiada consciência da situação em que viviam eram afastadas do convívio social e banidas para uma ilha distante. O Centro de Incubação e Condicionamento foi criado para receber os estudantes e os condicionarem àquele tipo de sociedade que seriam parte.

Qualquer semelhança desse pequeno resumo do Admirável Mundo Novo com o velho mundo atual não é mera coincidência. Os pedidos de socorro de mães a este Comércio e em programas de televisão para que alguém as ajude a livrar seus filhos e filhas das garras mortais do vício em narcóticos não advém de simples fatalidade.

Trata-se de projeto que tem início na década de 1950 com a ‘Guerra do Ópio’, cujo intento era viciar soldados americanos envolvidos nas guerras e fazê-los desertar, além de ser também uma vingança dos países comunistas para com o Ocidente capitalista, onde os jovens americanos seriam destruídos pelas drogas.

Nada é por acaso. A História é feita de cima. As massas são apenas marionetes controladas com o barbante do interesse de alguns grupos econômicos, cuja morbidez sinaliza para o domínio e o controle de tudo e de todos.

Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora