08 de julho de 2026

Vida e sonho


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Para chegar ao objetivo que me proponho devo iniciar pela menção de dois personagens ilustres que a história jamais poderá omitir. O desprendimento, o espírito doador e o interesse pelas nobres causas iluminaram, no passado, o raciocínio de alguns “anjos brancos”, imbuídos de amor ao próximo. Médico preocupado com a saúde das pessoas, Carlos Signorelli atuava na pediatria alimentando o sonho de acabar com a mortalidade infantil, ideal forte que o levou a convocar o colega Antônio Monteiro Petráglia para concretização. A vontade e o potencial humano fizeram nascer o Hospital Infantil. Ele aí está – hoje inoperante – fechado por culpa de poderes que ignoraram a motivação que lhe deu origem. No entanto, a memória de seus sonhadores não pode ser relegada ao esquecimento. Se um vivia para incentivar as artes criando Semanas da Música, mobilizando gosto pela pintura buscando nos jovens as vocações, o outro ia ao inimaginável em arte também bonita, combatendo raquitismo de crianças, tornando-as lindas e saudáveis. Signorelli e Petráglia uniram-se para construir, doar e respeitar a vida.

O momento presente fez eclodir ao pé das serras de Minas Gerais um movimento de letras, balé suave compondo palavras de um novo sonhador, nas três colinas aportado para praticar o bom semeio. Cultua e semeia sonhos, entrega-se para destacar a boa literatura de Franca, garimpar gemas de alto brilho de nossa constelação literária, tem sido sua missão. Falo de Luiz Cruz de Oliveira, o romântico, o jogador de bola, o saudosista, regente de português e, entre tantas coisas a afortunarem suas qualidades, o homem que sonha: o escritor.

Ao ler uma de suas obras, – Por enquanto Canto – paro na página 39 decorando sua frase, “Abro todas as janelas, acendo todas as lâmpadas”. Me proponho a pensar na multiplicação dos valores que nela se encerram. Quando Cruz abre janelas para uma literatura do futuro, apoiando e incitando jovens talentos para adentrarem a passarela dos livros, muitos devem sentir o gozo do acalanto que faz dormitar a alma. Quando Cruz acende lâmpadas para iluminar figuras ilustres da história gloriosa de nossas letras: – Esboço de História da Literatura Francana, – Constantino, D’Elia, Morato, Evelina, Jonas o velho, entre uma centena de outros modelos de uma inspiração, ele grava no indelével, saudosas memórias.

Luiz Cruz levou-me a navegar em seu barco de sonhos. Penso que o homem não deve viver de sonhos, no entanto, é muito triste a vida quando o sonho não vive nele.

Estamos embarcados e juntos no sonho da Fundação Casa do Escritor, difusora da cultura, agente da promoção literária, lapidária dos valores dormidos e necessitados de um despertador.

Aguardemos Cruz, o reaparecimento de Petráglia e Singnorelli, sensíveis para marcar seus nomes na história da edificação do oráculo da literatura francana.

Garcia Netto
Jornalista