Caro Marco Felippe,
1º Inicio dando-lhe um contra-título à matéria publicada para fins de retificação: “O bispo de Franca, Dom Pedro Luiz, não ‘chamou a atenção’ no sentido de corrigir, ao pároco da Capelinha”, Fr. Jesus Maria López Mauleón, OAR, pelo conteúdo do jornal paroquial ‘Capelinha’ do mês de outubro 2010, página 4”. Não cabe a mim lhe corrigir, mas o próprio Bispo dom Pedro Luiz, e entendo que, à altura destes ‘idus’ já terá chamado sua atenção. Acaso você participou da conversa havida entre eu e Dom Pedro Luiz? Tenho claro que na conversa havida entre você ele, Dom Pedro não utilizou os esses termos, muito pelo contrário.
2º Em segundo lugar quero lembrar, e isso você já sabe, que nenhum dos artigos publicados na página quatro do jornal Capelinha são de minha autoria, pelo que dificilmente vou corrigir nem retificar em nada, aliás, seria antiético corrigir o que não escrevi.
3º Em terceiro lugar, e seguindo o que você escreveu, quero dizer que nosso jornal não ‘virou motivo de polêmica em Franca’, a não ser a sua matéria e a forma de colocar de forma mal intencionada os dizeres em minha boca- desconheço se tem outros interesses para fazer isso - o que fez que vários leitores se colocassem ao meu favor e contra o bispo. Claro, como não é ‘política’ do seu jornal que possa ler o que você ia escrever de mim antes de publicar, espero invente agora outra política mais equânime para repor todo o dano causado.
4º A publicação do artigo do bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga e do Regional Sul 1, assim como a carta colegiada da mesma página, fazendo opção pelo mais pobres, é uma decisão minha, junto com a equipe da PasCom, que cada mês procura veicular alguma notícia da CNBB. Não são notícias de todos os bispos do Brasil, como nem sequer os documentos oficiais têm sempre o cem por cento de aprovação, mas notícias de bispos, regionais ou nacionais, em temas diversos, sendo que em relação às eleições, foi considerado oportuno. Precisamente por que a CNBB, como está expressamente exposto nos artigos, não toma posições partidárias por candidatos, deve ser considerado notícia a valente posição de alguns prelados, que se não são as oficiais de toda CNBB, pode-se entender ‘latus sensu’ que pertence ao pensamento de diferentes Igrejas Particulares da CNBB, ou diremos que esses bispos estão ordenados por ‘outro’ Espírito Santo? Desconheço se isso desagradou a dom Pedro Luiz, e se assim for, entendo que terá falado com o autor do comunicado, que por mais sinal é um irmão do episcopado, não a mim, que apenas transcrevi.
5º Para seu conhecimento democrático eu não tenho que pedir permissão nem informar ao Bispo Diocesano por nenhuma das publicações do jornal paroquial Capelinha, assim como nenhum padre ou leigo, por que todos temos a liberdade dos filhos de Deus, e assumimos nossas responsabilidades. De onde você tirou que me advertiu pela publicação? E pior ainda, eu não disse que a publicação estava errada e menos ainda que devia ser corrigida, como já ressaltei no ponto dois. Se acaso, se acaso não está claro que a manchete da pagina se refere à CNBB em sentido lato, poderia ir entre aspas ‘A CNBB’. Mas, como já te disse pessoalmente, após a manchete, há o esclarecimento que essa é opinião de ‘UM’ bispo da CNBB, que procura orientar seus fiéis não sobre o voto, que é pessoal e livre, mas sim sobre as implicações da consciência cristã em tudo o que atinge a vida publica da sociedade brasileira. A opinião assinada pelo Regional Sul 1 da CNBB não precisa matizes, estão no texto os conteúdos e os autores.
6º A CNBB pode não concordar que a opinião do bispo de Guarulhos seja a de toda a Conferência Nacional, e pode desautorizar essa opinião como não dela, mas não pode desautorizar o bispo titular de uma diocese, por que na sua jurisdição tem autonomia e pode orientar seus fiéis como melhor entender por que é o pastor da sua Igreja Particular, como em recente conversa gravada fez o Arcebispo de Paraíba sobre o mesmo tema. Caro Marco Felippe, os bispos do Brasil não formam uma Confederação.
7º Surpreende-me em demasia a ausência das palavras mais importantes que lhe disse em nossa breve conversa por telefone, improvisadas, mas que você nem menciona. O ponto central do tema não é a política nem as votações, mas a DEFESA DA VIDA, em todas suas etapas até a morte. Eu lhe disse expressamente que não sou brasileiro e por tanto não tenho voz nem voto, e acrescentei, que não sou nem a favor nem contra a Sra. Dilma, ao Sr. Serra ou a Sra. Marina, e que eu não votaria nenhum dos três se nos seus programas políticos estivesse a liberalização da lei do aborto, sendo meu voto em branco, já que, infelizmente no Brasil, o voto é obrigatório. Eu não estou contra a Sra. Dilma, mas sim estou a favor da Vida Humana, em todas suas etapas, dom de Deus, que ninguém tem direito de tirar. Se a Sra. Dilma, ou qualquer candidato político se alínha a favor da descriminalização do aborto, ou mais ainda, elevando-o a categoria de direito, são eles que se posicionam contra o povo, por que temos esses direitos muito antes de suas candidaturas e menos ainda depende de seus programas políticos.
8º Caro Marco Felippe. A ver se com boa vontade nos entendemos. Tem cabimento que nós, cristãos, levemos em nossa ética o ‘não matarás’ em absoluto, e depois fiquemos na corda bamba, sem tomar posição, quando se trate ‘das pessoas’ que vão institucionalizar a morte como um direito? Tem sentido que um pai ou um pastor advirta de um mal a seu filho e depois cale das pessoas que vão lhe provocar esse mal? Claro que respeitamos a postura da CNBB de não tomar uma posição partidária como instituição, mas isso não significa dizer que um pastor deixe de orientar suas ovelhas, quando um assunto grave como a VIDA, esteja em jogo. Tem sentido para um bispo - pastor - animar a devoção a Santa Geana, cantar seu valor e defesa da vida, propor isso para seus fieis e depois calar perante quem quer institucionalizar a iniqüidade do ‘direito a matar’?
9º Finalmente, caro jornalista, parece que você ou a política de publicações de seu jornal, salienta apenas que pode trazer polêmica, por que a ‘rio revolto, ganho de pescadores’. Talvez o mais importante não seja seu comunicado, mas suas omissões. A paróquia da Capelinha realizou do dia 3-11 de outubro, a novena de N. Sra. Aparecida, certamente uma das melhores em participação que conheço. Celebramos cinco dias de quermesse em favor do projeto ‘A minha fé constrói’, batendo todos os recordes em participação de público e sucesso de colaborações. Depois de inaugurar as salas de informática para os pobres, no dia 16 de setembro inauguramos o Auditório Dom Xavier, e a Cozinha Escola para dar cursos ‘as famílias mais carentes em parceria com o SENAC... e de tudo isso, seu jornal, do que eu também sou assinante, não publicou, na maioria dos temas, nada. Por transcrever em nosso jornal uns artigos, que não são meus, mas de domínio público, você questiona minha pessoa em letras garrafais...
10º Ainda bem que nós acreditamos na VERDADE, muito além de nossas opiniões.
11º Mais um. Embora terminasse aqui minha argumentação, depois das ultimas declarações do Papa Bento XVI exortando os padres e bispos para ter uma posição clara a respeito da defesa da vida, inclusive com implicações políticas partidárias, remito a elas, embora isso não me faça popular frente a grande parte da população, para te dizer como católico e irmão, que não precisaríamos dessa palavra de autoridade expressa para ter uma postura nítida frente à sociedade e do valor inalienável do evangelho como o melhor bem para todos, -ainda que nem todos acreditem-, e sua defesa pública, você como jornalista, eu como pároco, por que ‘a palavra de Deus não está acorrentada’. Ainda assim, em beneficio da unidade da Igreja Católica do Brasil, alineo minha declaração em comunhão com toda a CNBB deixando para cada um exercer o direito de cidadão, e aos cristãos defender sempre a vida com suas decisões.
12º Deixo este ponto para que você possa me corrigir se estou errado. Seu irmão menor. Fr. Jesus.
Frei Jesus Maria López Mauleón
Pároco da Capelinha - Franca - SP
Nota da Redação - O texto acima é de autoria de Frei Jesus Maria López Mauleón, Pároco da Capelinha, em referência à matéria assinada pelo repórter Marco Felippe, deste Comércio. A matéria está disponível para leitura local. O jornal Comércio da Franca mantém, reforça e reitera a precisão de todas as informações contidas na referida matéria. O comentário do Frei é, também, o tema da Gazetilha deste domingo.