“A sensação é de perda irreparável”. A afirmação é do secretário municipal de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, sobre a possibilidade da Escola Estadual “Caetano Petráglia”, onde estudou na infância, além de outras seis em Franca, terem suas atividades letivas encerradas no final de 2013. As escolas que completam a lista são: “Adalgisa José Gualtieri”, “Coronel Francisco Martins”, “Carmem Nogueira Nicácio”, “Iolanda Ribeiro Novais”, “Josephina Zinni Almada” e “Lina Picchioni Rocha”.
O anúncio do fechamento das unidades de ensino na semana passada indignou alunos, pais e corpo docente. Os ex-alunos destas escolas, muitas delas tradicionais no município, também se mostraram inconformados com o fim das matrículas anunciado pela Diretoria Regional de Ensino.
Buranelli começou sua vida escolar em 1961 na “Caetano Petráglia” e espera que “Deus ilumine os que vão decidir o futuro do colégio”. O secretario diz que seus filhos também foram alunos da “Caetano” e que a melhor época de sua vida foram os seis anos em que estudou lá. “O carinho que tínhamos para com os professores era maravilhoso. Tenho amizades dos tempos de ‘Caetano’ que duram até hoje. Foi lá que descobri o mundo”.
O presidente do Conselho de Administração do Complexo Santa Casa, Onofre Trajano, foi aluno da escola “Coronel Francisco Martins” na década de 1950. Ele se lembra de como o ensino era rigoroso e da alegria que sentia diariamente quando chegava ao colégio. Onofre não consegue imaginar a cidade de Franca sem a centenária instituição. “Seria uma lástima se isso realmente ocorresse. Tenho tantas recordações daquele local que me marcam até hoje. Não consigo esquecer, por exemplo, a professora Maria Queiroz, que me ensinou muita coisa. Todas as vezes que passo por lá, sinto que uma parte de mim ainda está ali”.
Também na década de 1950, o professor universitário Everton de Paula foi aluno da “Coronel”. Ele tem opinião contundente contra o fechamento da unidade. “As primeiras sementes que me permitiram ser o adulto que me tornei foram plantadas naquela época. Isso (o fim da escola) é um desastre, um obstáculo à modernização do ensino público”.
Também com laços afetivos que o une à escola onde iniciou seus estudos, a “Lina Picchioni Rocha”, o ex-vereador José Carlos Gomes, lamenta os planos de fechamento. “A ‘Lina’ sempre foi como uma família para mim e para as crianças do bairro. Se ela fechar, sofreremos demais. Não se deve fechar escola. Isso é um equívoco”.
A voz destoante é a do secretário municipal de Administração e Recursos Humanos, Jerônimo Sérgio Pinto, que estudou no “Caetano Petráglia”. “Eram outros tempos quando eu estudei. A Educação precisa ser restaurada”.
Se as lembranças do passado emocionam os ex-alunos, a incerteza do futuro das escolas preocupa os atuais. João Marcos Souza Canuto, de 7 anos, cursa a 2ª série no ‘Coronel’ e está entre os preocupados. Ele disse que já pediu até para Papai Noel para deixar a escola aberta. “Não quero sair daqui”, disse.
(Clique na imagem para ampliar):