Nos dez primeiros meses de 2010, o número de vítimas de atropelamento em Franca já supera o total contabilizado em todo o ano passado. Segundo estatística da Polícia Militar, 188 ocorrências foram registradas entre janeiro e outubro deste ano. Nos 12 meses de 2009, o balanço da corporação totalizou 183 atropelamentos, sendo 156 até outubro - acréscimo de 20,5% entre os períodos apontados. No total, foram 337 pessoas envolvidas em acidentes. Destas, 212 ficaram feridas e quatro morreram.
Os números também indicam que a maior parte dos envolvidos nos acidentes, entre vítimas e condutores de veículos, tem idades entre 30 e 59 anos. Os homens lideram a estatística com 213 ocorrências, contra 104 mulheres (20 não tiveram o sexo informado). O levantamento da Polícia Militar mostra que os locais de maior incidência de atropelamentos são as avenidas Presidente Vargas, Doutor Ismael Alonso Y Alonso, Brasil, Chico Júlio, Adhemar Pereira de Barros e Abrahão Brickman.
As motos são as que mais atropelam. Nos últimos dez meses, 82 motociclistas se envolveram em acidentes com pedestres. Os carros vêm em segundo lugar com 73 ocorrências. O período mais perigoso para quem anda a pé pelas ruas de Franca é entre 17 e 20 horas. Neste ano, 51 atropelamentos aconteceram nesse período. “Falta de atenção e respeito à sinalização, imprudência de motoristas e pedestres e a falta de calçadas regulares são alguns dos fatores que contribuem para o número elevado de atropelamentos com vítimas”, disse Capitão Alexandre Wellington, responsável pelo Comando da PM que fiscaliza o trânsito em Franca.
Não faltam exemplos para ilustrar o risco a que são submetidos os pedestres. No último dia 22 de outubro, o atropelamento de um bebê de oito meses por pouco não acabou em tragédia. O cinto de segurança do carrinho em que o pequeno Kauan Miguel Cardoso era transportado salvou a vida dele. O menino e a mãe, Daniela Ribeiro Sávio Cardoso, 29, foram atropelados por um veículo que trafegava na avenida. O carrinho onde estava a criança capotou várias vezes, parando depois de atingir um caminhão estacionado. O condutor do carro fugiu sem prestar socorro.
O tapeceiro Arnaldo de Oliveira, 42, não teve a mesma sorte. Em setembro, ele foi atingido por um caminhão na Avenida Emílio Paludetto, Vila Hípica, e morreu no local do acidente. O sapateiro Áureo Migani, 47, que morava no Leporace, também perdeu a vida por causa de um acidente. Ele foi atropelado por uma moto na Avenida Teotônio Vilela e morreu 20 dias depois. Também integra a relação de vítimas, o pintor Maciel de Souza Pereira, 26. Ele ficou 13 dias internado no CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa Casa e não resistiu aos ferimentos. Até a tarde de sexta-feira, a última vítima havia sido o aposentado Hilário Carreira, 60, que foi atropelado na Avenida Willian Azzuz, no Recreio Campo Belo.
O aposentado Diógenes de Jesus Vieira, 47, que residia na Rua Maceió, Jardim Brasilândia, morreu no dia 7 de outubro, após ser atropelado por dois veículos, na Rua Major Elias Motta, no Jardim São Luiz. Chovia forte e o bairro estava sem energia, quando o primeiro veículo, que seguia no sentido Jardim Centenário ao Jardim Paulistano, atropelou o aposentado que tentava atravessar a avenida. O corpo foi projetado para o alto e caiu no asfalto. O segundo veículo, que vinha logo atrás do primeiro, não conseguiu desviar e passou sobre a vítima. Socorrido com múltiplas fraturas, Vieira deu entrada na Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante o atendimento de emergência.
Na avaliação da Polícia Militar, o crescimento contínuo da frota de veículos em circulação na cidade também contribui para o crescimento dos acidentes. A frota de motos licenciadas em Franca ultrapassou a marca de 52 mil unidades e a de carros já chega a quase 115 mil. No total, circulam pela cidade aproximadamente 200 mil veículos.
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