08 de julho de 2026

Momento de reflexão


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Velório é um ótimo momento para reflexão, para refletirmos sobre a vida como sublime oportunidade de evoluirmos, abandonando velhos hábitos e vícios que ainda teimam em resistir. É também ocasião em que nos assaltam pensamentos indagativos: o que nos ocorre à mente na hora da desencarnação? O que se passa na mente do espírito cujo corpo aguarda o sepultamento?

Segundo nos informa o Espiritismo, velório é um momento muito importante para o indivíduo que retorna ao mundo espiritual, ainda que experimente certa confusão que toma conta particularmente dos desencarnantes faltos de conhecimento e observância das leis morais.

Ainda confusos, experimentamos como que um mesclar de mundo material e mundo espiritual, porque muitos de nós guardamos as impressões da vida que acabamos de deixar, sem alcançar imediato domínio da nova vida que nos recebe.

Claro que a confusão varia de indivíduo para indivíduo. Mais demorada para uns, menos para outros, todos, porém, passamos por um estado de relativa perturbação ao desencarnar.

No entanto, não desencarnamos sozinhos, posto que, no momento da separação do espírito do corpo físico, entidades benfeitoras, especializadas no mister, sempre estarão presentes para nos ajudar a desatar os últimos laços que nos unem à carcaça que devemos abandonar. Via de regra, parentes vêm nos socorrer e amparar.

Tanto com relação ao desencarnante, quanto aos familiares, é muito importante que se guardem a máxima tranquilidade possível, muita serenidade e confiança nas Leis de Deus, para que os liames com a matéria se rompam sem traumas ou dificuldades desnecessárias.

Que os familiares, quanto possível, procurem manter-se em oração, a fim de que auxiliem no pronto restabelecimento do ente querido que se transfere de plano dimensional.

O desequilíbrio, a gritaria, o pranto descontrolado, as manifestações exteriores de dor só lhe impõem sofrimento atroz, mas evitável. É hora de ponderação.

Aqueles que acorrem ao velório devem entender que estão diante de um corpo inerte, mas que o espírito continua vivo, recebendo as vibrações dos pensamentos que lhe são dirigidos. Assim, anedotário menos digno, críticas a governantes ou a quem quer que seja, maledicências sobre a vida alheia, disputas esportivas devem ser terminantemente evitadas.

Devemos afastar também lembranças sobre o passado do recém desencarnado, já que só servem para impor-lhe sofrimento que se pode evitar. Nada de críticas ásperas, nem elogios insinceros, mas de atitudes equilibradas e o desejo que o desencarnado tenha pronto refazimento e plenitude espiritual.

Um fundo musical, com o qual se crie um ambiente de vibrações positivas, onde não vingue nem a acidez da crítica destrutiva, nem a hipocrisia do falso elogio, é desejável.

Se nutrimos restrições sobre a maneira com que o nosso irmão se conduziu na vida, calemo-nos, porque é a Justiça Divina que saberá julgá-lo.

Empenhemo-nos para que, da parte dos que ficam, haja vontade caridosa de ajudar, orando com fé pela paz dos que vão e pelo consolo dos que lhes sobrevivem atingidos pela dor da separação material.

Felipe Salomão
Diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)