O Brasil, que foi esperançoso às urnas nos dias 3 e 31 de outubro, já mostrou que é contra. Mesmo os eleitores que deram um mandato à ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, assim o fizeram porque esperavam que os grandes anseios da sociedade - conforme promessas da então candidata - seriam contemplados. E, hoje, a reforma tributária é uma destas necessidades que não podem ficar para depois. Da mesma forma que a reforma política. Porém, nem bem os resultados das urnas foram proclamados e volta à baila a velha ladainha de que a saúde pública só poderá ser melhorada no Brasil caso a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) seja recriada. Sepultado pelo Congresso Nacional, numa das maiores derrotas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu nos seus dois mandatos, o popular imposto do cheque é considerado um dos maiores assaltos contra o bolso do cidadão brasileiro, que já é assolado por uma pesada carga tributária e pelos juros mais altos do planeta.
O presidente Lula e sua sucessora Dilma Rousseff sondam o terreno e voltam a falar no retorno da CPMF, contando com o apoio de partidos aliados, cujos governadores e parlamentares se movimentam para ressuscitar este imposto que incide sobre qualquer operação financeira. Ninguém, nem do governo e muito menos da oposição, buscou fórmulas para que o sistema público de saúde receba mais verbas no Brasil. Não houve qualquer tentativa de se reduzir o custo da máquina pública para que sobre mais dinheiro para o tratamento da saúde dos brasileiros menos favorecidos. Não se buscou, desde o fim do imposto do cheque, há quase dois anos, alguma alternativa que não fosse avançar sobre a economia do cidadão para financiar um direito básico do povo brasileiro, conforme o disposto na Constituição da República Federativa do Brasil.
Senadores e deputados são ágeis em aumentar os gastos públicos, reajustando salários de seus assessores e servidores de forma rápida e fácil. É muito fácil pagar a festa com o dinheiro alheio. Difícil é tornar o serviço público enxuto e eficiente. Deve ser mais difícil ainda fazer com que os políticos com mandato ponham a mão na consciência e percebam que não depende apenas do contribuinte fazer aumentar o dinheiro destinado aos serviços públicos. Deveria partir deles também a iniciativa de enxugar os gastos públicos (inclusive com eles próprios) e controlar o dinheiro do orçamento. Falta-lhes ainda buscar formas - e isso teria que ser uma obrigação - de acabar com a corrupção, um dos grandes males da administração pública brasileira. O sacrifício deveria ser de todos e não apenas da maioria da população. Desta forma, não só a saúde teria mais recursos para o seu financiamento, assim como outros setores, como educação, saneamento básico e infraestrutura certamente contariam com verbas maiores.