09 de julho de 2026

Representante comercial doa orações para aqueles que precisam


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SERVIDOR FIEL - O representante comercial Osvaldo Brochado acredita curar as pessoas através de orações, não cobra nada por isso e diz que, se para, fica doente. Pretende recrutar novos pacientes através de anúncio no jornal

Os leitores do Comércio, que estão acostumados a ver anúncios de todo tipo no caderno de classificados do jornal, esta semana poderão se deparar com uma oferta especial: doam-se orações. O doador é o representante comercial Osvaldo Brochado, 59. Espírita, ele acredita ter o dom de curar através de orações desde oito anos de idade e diz que não pode deixar de fazê-lo sob pena dele próprio adoecer.

“Seo” Antônio disse que normalmente as pessoas que o procuram ficam sabendo de seu “poder mediúnico” - como ele chama - através de vizinhos e amigos. E sempre foram muitos os que o procuraram pedindo suas orações. Há cerca de um ano, no entanto, ele teve que combater um câncer na bexiga e se mudou para uma casa na zona rural de Franca. Sua ausência fez a fila de doentes à sua porta minguar. Agora que ele está recuperado, quer que as pessoas retornem, para que ele possa dar prosseguimento ao que considera uma missão. “Quero anunciar (no jornal) que estou doando orações, porque não posso parar de rezar e tentar ajudar as pessoas, senão fico doente. Curar é um dom que Deus me deu de graça e não cobro nada por isso”, disse o benzedeiro, garantindo que é a primeira vez que pensa em anunciar as orações.

Osvaldo Brochado costumava trabalhar na lavoura, mas há 15 anos decidiu investir no comércio. Na época, ele morava em São Sebastião do Paraíso (MG) e ficou conhecido como vendedor de produtos de R$ 1,99. Percorria lojas que comercializam utensílios domésticos na região, representando empresas e vendendo mercadorias em atacado. “Morei em Paraíso por 25 anos antes de me mudar para Franca, em 2005. Mas já andei muito. Além de Minas e São Paulo, passei pelos Estados do Mato Grosso e Paraná. Sempre trabalhando, mas nunca deixando de rezar”, disse ele.

Com tristeza, o comerciante lembra da única vez que tentou parar de fazer as orações. Foi em Barrinha (SP), há quase 20 anos. Ele era apontador de uma propriedade rural. Saía de madrugada e passava o dia anotando o que chegava e saía da fazenda - amendoim e cana-de-açúcar, principalmente. Só chegava em casa “de noitinha”. Cansado, não tinha energia para atender às pessoas que o procuravam com esperança de cura. “Em três dias minha mão encheu de feridas. Machucados grandes e com pus. De repente, não podia mais trabalhar na fazenda porque não conseguia escrever. Tive que voltar a orar para poder trabalhar”, lembrou.

VIDA DURA
Sentado na varanda da casinha de três cômodos que divide com a mulher e um neto na zona rural do município - entre Franca e Patrocínio Paulista -, Brochado fala da vida com simplicidade e relata com tranquilidade as provações pelas quais já passou.

No início de 2009, “seo” Antônio sofreu uma queda enquanto carregava a Kombi em que levava os produtos (utensílios domésticos) que vendia em lojas da região. O acidente foi leve, mas acabou levando-o ao hospital onde descobriu que carregava dois tumores malignos na bexiga. Desde então, passou por duas cirurgias, fez quimioterapia, orou com mais fervor que nunca. Conseguiu se livrar do câncer, embora tenha sido diagnosticada uma hérnia inguinal que não lhe permite trabalhar normalmente.

Osvaldo está parado há quase dois anos e a saúde debilitada consumiu o pouco que tinha. Mesmo sendo segurado pelo INSS, ele só conseguiu começar a receber auxílio doença em junho deste ano, aproximadamente R$ 600 por mês. Devido à falta de dinheiro para atender às necessidades básicas dele e da família, o comerciante vendeu tudo. “Por algum tempo, vivemos do dinheiro que consegui com as mercadorias que tinha para trabalhar. Perdi meu carro para a financeira, fiquei devendo ao banco, nome protestado, comi cestas básicas doadas por voluntários de Franca e fui despejado da casa onde morava por falta de pagamento. Hoje, vivo de favor e meus filhos (oito) também me ajudam como podem. Tudo isto porque nos primeiros 18 meses, quando descobri e tratei o câncer, os peritos do INSS me consideraram apto para o trabalho”, disse ele.

Apesar de relatar as dificuldades e necessidades, em nenhum momento, durante as duas horas de entrevista, o representante comercial pediu ajuda, mostrou revolta ou frustração. Nem mesmo com os acidentes ou os diagnósticos de doenças graves. “O acidente com a Kombi foi uma benção para mim, pois, ele me levou ao hospital e o câncer foi diagnosticado. Sem o acidente, como eu não sentia dor, o câncer iria evoluir a ponto de não ter mais cura. Estou vivendo bem, graças a Deus. E quero ajudar a quem precisa. Levar fé, alivio e conforto àqueles que sofrem”, disse.

Quem quiser receber as orações de seu Osvaldo deve escrever para a Caixa Postal 1015, Cep 14405-971, Correios da Estação/Franca-SP.

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