08 de julho de 2026

Parque de diversões ainda resiste à modernidade


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Parque de diversão mantém viva a tradição de lazer das famílias nas cidades do interior

“Os parques de diversão têm hoje muitos concorrentes: a televisão, a internet, os shoppings...”. A afirmação é de quem entende do assunto: dos 68 anos de idade de Wanderley José Castro, administrador do Magic World Park, 40 foram vividos dentro de parques instalados nas cidades do interior de São Paulo. É evidente que os costumes e as formas de entretenimento mudaram ao longo dos anos, mas, mesmo assim, os parques mantêm a tradição de reunir famílias para divertidos momentos de lazer e até jovens que ainda “flertam” na tradicional roda-gigante saboreando uma deliciosa maçã do amor.

A cena, típica das cidades interioranas, se mantém fiel há muitos anos. Ao entrar no parque, a sensação é de passar por um túnel do tempo. Lá estão as barraquinhas de argolas (que premia o vencedor com ursinhos de pelúcia), de tiro ao alvo, as guloseimas como maçã do amor, pipoca e algodão-doce, e toda a magia que envolve crianças e adultos, mas nem tanto como era antigamente.

Em alguns minutos de conversa, Wanderley volta a sua memória para a década de 1970 e a nostalgia dá o tom da pauta. “Antigamente, há uns 35 anos, o parque era ponto de encontro entre famílias, amigos e namorados. Mesmo com chuva o parque ficava lotado assim como hoje quando um cantor famoso faz show nas exposições; não tinha dia ruim”, analisa. “Principalmente quando era época das safras, colheitas de amendoim, café... o povo gastava tudo no parque”, recorda. “Hoje, os empregados recebem salário mensal, aproveitam as ofertas das lojas que vendem a prazo e quase não sobra verba para o lazer”, lamenta Wanderley, ressaltando ainda que hoje as crianças e jovens dão mais valor à internet e videogame, por exemplo.

Engana-se quem pensa que Wanderley não teve outra oportunidade profissional para seguir carreira. O administrador do parque, que reside em Paraguaçu Paulista, é bacharel em Direito, mas se encantou com a atividade quando foi apresentado a ela pelo pai da sua ex-mulher.

E quem não se encanta com os brinquedos iluminados que proporcionam emoção e adrenalina a cada volta? Os tempos mudaram, os costumes também, mas algumas coisas permanecem inalteradas. A roda-gigante ainda é capaz de unir casais enamorados. É o que garante Júlia Silva Andrade, 14, que estava acompanhada dos irmãos e amigas. “A gente começa a paquerar e depois vai dar uma volta na roda-gigante”, disse acanhada.

A tradição de reunir famílias para um divertido dia de lazer também se mantém. A dona de casa Karina Miranda, 31, e o marido, o pintor Cloice Matheus, 33, aproveitam o parque para passar mais tempo com os filhos Miguel, 2, e Luis Gustavo, 9. “Franca quase não tem opções de lazer para a família, por isso sempre aproveitamos as novidades como parque, circo...”, disse Karina. “É uma oportunidade de reunir a família e passar momentos felizes juntos”, completa Cloice.

O PARQUE
José Francisco Augusto, conhecido como Zé do Parque (avô do atual diretor Beto Augusto), inaugurou o primeiro parque - chamado de Coney Island Park - em 1940, em Bauru. A terceira geração da família fundou o Magic World Park em 1995, em Limeira.

De acordo com Beto Augusto, a empresa tem 25 funcionários, mas em todas as cidades em que o parque é instalado são contratados colaboradores extras para as bilheterias, segurança e apoio.

A rotina dos funcionários não é tão cansativa quanto a dos artistas circenses. O parque visita no máximo 15 municípios por ano e fica de 20 a 30 dias em cada lugar. Uma cozinheira é responsável pela alimentação da equipe que se acomoda nos trailers dentro do parque. No resto do mês, o funcionário pode ficar em casa com a família.

Segundo o diretor, o Magic World Park tem 20 brinquedos, entre eles radicais, para a família toda e para criança. Em Franca, são 14. Os mais disputados são o crazy dance e o auto-pista (carrinho de batida). “O famoso bate-bate tem muito público por se tratar de um brinquedo em que as pessoas têm o controle da situação”, avalia Beto, que preserva a tradicional roda-gigante e o carrossel.

E os pais, ainda se divertem no parque? “Com certeza. É uma alegria contagiante que passa de pai para filho e existem até casos das pessoas se conhecerem no parque e, após se casarem, levarem os filhos onde tudo começou”, revela o diretor. “É prazeroso ver o sorriso das crianças, a emoção dos jovens e a alegria dos adultos que acaba contagiando a todos da equipe”, completa.

Para Beto, a única desvantagem do parque de diversão, como negócio, é que o lucro depende do tempo estável. Por exemplo, em Franca, o Magic World Park acabou tendo de fechar nos recentes dias chuvosos. “É sempre muito gostoso trabalhar em Franca, pois a população é muito educada e alegre. Sempre recebemos e-mails para que o nosso retorno a cidade seja breve”, ressalta Beto.

SERVIÇOS
Magic World Park
Local: ao lado do Franca Shopping -estacionamento grátis
Data: até domingo, dia 7 de novembro
Horário: hoje, a partir das 15 horas; de quarta a sexta-feira, a partir das 19 horas; sábado e domingo (último dia), a partir das 15 horas
Preços: 1 ingresso (R$ 3 cada brinquedo); cartela promocional com 4 ingressos (R$ 10) e passaporte para brincar o quanto quiser (R$ 20)