09 de julho de 2026

Só por milagre...


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A alta abstenção registrada ontem refletiu o erro estratégico da data do segundo turno. Entre votar por obrigação ou justificar pagando multa de R$ 3 e partir em direção ao feriado esticado, parcela da população escolheu a segunda opção. O brasileiro considera votar, “um saco”. Pensa assim porque é obrigatório. E pensa assim porque perdeu a noção do poder que tem.

Passa os entremeios das eleições reclamando da corrupção, da insegurança pública, do péssimo ensino, dos preços, do transporte público, da impunidade que deriva da morosidade da justiça e das milhares de leis que, de tantas, permitem brechas nas outras, mas se esquece que toda a parafernália legal é criada e executada pelos agentes políticos que escolhe quando vota ou não vota. Quando chega a hora, isenta-se. Corre. Prefere dizer que “ninguém me obriga a nada!”.

O brasileiro médio é um gozador e as novas gerações são piores. Um antenado cidadão disse-me, ontem, frase que bem define os seres individualistas de nosso tempo: “a gente não sabe de que matéria são feitos”. Trocando em miúdos, essa gente que só pensa em si, usa o espelho retrovisor do carro só para pentear o cabelo enquanto dirige na pista errada; que é incapaz de entender que ao praticar o personalismo burro que acha certo, tornará o País distante do que precisa que seja. Essa gente que perdeu “massa, cor, cheiro, calor, preocupação consigo e com o outro”, é o mais importante desafio do novo Presidente da República eleito ontem.

Sem educação comprometida com o ser melhor que precisamos construir e reforma política “saco roxo”, nada feito...

Luiz Neto
Jornalista