08 de julho de 2026

Próximos passos


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Dilma Rousseff (PT) venceu. E não há surpresa nisso. O resultado foi cantado em verso e prosa e se confirmou nas urnas. Se é verdade que foi legítimo - afinal, todo o processo transcorreu dentro das regras da legislação eleitoral - também é verdade que não foi dos mais justos. Afinal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou todo seu carisma e, mais do que isso, todo o peso do cargo para ajudar a eleger a sucessora. Não é ilegal, isto é fato. Mas teve uma postura contrária à que muitos brasileiros esperavam do presidente. E é disso que Dilma não pode se esquecer nem por um minuto sequer a partir de agora. Ela deve ter sempre em mente que governará para os 193 milhões de brasileiros (população total do país, conforme dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE) e não apenas para os 55,5 milhões que votaram nela ou na máquina administrativa da qual o governo se apossou. Dilma tem a obrigação de se lembrar, sempre, de que sucede Lula, mas não deve depender dele. A ela cabe liderar, conduzir e tomar decisões. A ele, cabe o papel de ex-presidente.

Agora é aguardar se a nova presidente do Brasil consegue transformar em realidade o que querem milhões de brasileiros. Muitos esperam por reformas importantes — e as reformas tributária, trabalhista e política são fundamentais. Dilma deve colocá-las em prática logo nos primeiros meses de governo, quando sua popularidade está em alta, os eventuais desgastes políticos ainda não começaram e as disputas eleitorais já estarão mais do que encerradas. Para isso, já conta com uma ampla maioria no Congresso. Ela deve se imbuir do espírito e da coragem para definir as mudanças dessa envergadura, das quais o Brasil necessita. Se ela perder a janela de oportunidades que se abre a partir de 1º de janeiro — e que se fecha rapidamente — poderá comprometer seriamente suas chances de alcançar melhor resultado nessa empreitada. Ela recebeu a confiança do eleitor brasileiro e precisa retribuir a sua expressiva votação com ações.