Se os resultados apresentados pela última pesquisa eleitoral estiverem corretos a candidata Dilma Rousseff, do PT será, no próximo dia 31 de outubro, a primeira mulher a ocupar a Presidência da República do Brasil.
Os últimos índices divulgados apresentam para ela um percentual de 60% dos votos válidos. Assim, se as pesquisas não errarem e de hoje - estou escrevendo na terça-feira, 26 de outubro - até o dia 31 não ocorrerem fatos novos que possam mudar esta situação, Dilma tem tudo para se eleger.
Sempre é bom lembrar que a pesquisa que realmente conta é a própria eleição do domingo. Recentes resultados apontam eleição de candidatos considerados derrotados em pesquisas e isso, coloca em dúvida a credibilidade e o futuro dos principais institutos de pesquisas do Brasil. No Estado de São Paulo, por exemplo, o candidato ao Senado Aloysio Nunes Ferreira foi dado como derrotado em algumas pesquisas. Obteve, porém sua eleição em primeiro lugar, enquanto que o candidato Netinho de Paula, dado como eleito pelas pesquisas, acabou derrotado.
De qualquer forma, teremos até o próximo domingo uma eletrizante corrida. Dilma tentando se equilibrar nos índices atuais que lhes são favoráveis e na inegável popularidade do Presidente Lula. Serra, por sua vez, tentando demonstrar aos eleitores ainda indecisos que é o mais bem preparado candidato e com isso conseguir na última curva, como às vezes acontece no turfe, atropelar por fora sua opositora.
Em termos de escândalos, o que tinha para aparecer já apareceu e não mudou em nada o quadro atual. Ouvi de um amigo, frase que me parece correta: ‘a candidatura da Dilma parece impermeável, não há escândalo que possa afetá-la’.
Os conhecidos moralistas brasileiros que no passado elegeram Jânio Quadros para varrer a bandalheira, Collor para acabar com os marajás e que depois pediram a cabeça do Presidente Itamar Franco por manter, no carnaval, estreitas ligações com uma moça que não tinha hábito de usar peças íntimas, não se mostram nem um pouco sensibilizados com o noticiário recorrente envolvendo escândalos palacianos. Parece que os manifestantes ‘caras pintadas’ adquiriram maturidade.
Os índices de Dilma resistem a tudo e colocam na berlinda a capacidade da imprensa brasileira como formadora de opinião. Assim, se nesses próximos 5 dias, reta final, não tivermos um fato realmente novo e contundente que caia como uma bomba de efeito retardado e, ainda, se as pesquisas realmente estiverem corretas, o Brasil terá sua primeira Presidente. Ou seria melhor a expressão Presidenta?
Se Serra conseguir reverter o quadro atual, os institutos de pesquisas brasileiros é que estarão definitivamente desacreditados em nosso País. Quem viver, verá.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca