Consagrado a uma das mais importantes classes de trabalhadores de Franca, o 25 de outubro, nesta segunda-feira, deveria ser comemorado em grande estilo. O Dia dos Sapateiros, nas últimas duas décadas, teve poucas ocasiões com tantos motivos para ser celebrado. O crescimento do número de empregos e da movimentação positiva que o setor calçadista vem imprimindo a toda economia de Franca são mais do que boas razões. Em setembro, conforme informações postadas no site do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) na Internet, a categoria já contabilizava a marca de 29.211 trabalhadores, num patamar próximo ao de 1993, quando Franca contava com 31,5 mil sapateiros.
A data escolhida para celebrar o Dia do Sapateiro, talvez nem todos saibam, é a mesma da festa dos seus santos padroeiros, São Crispim e São Crispiniano, irmãos, nascidos em Roma, e pertenciam a uma família cristã muito rica. Ao assumirem o cristianismo, foram para a Gália (atual França) para propagarem a fé em Cristo (por isso, morreram degolados, depois de serem torturados por não negarem a sua fé), onde trabalharam como sapateiros para se sustentar. Por conta disso é que nas antigas sapatarias era comum vermos um quadro com a figura desses santos. Mesmo que a tradição consagre como sapateiros aqueles profissionais que manufaturavam calçados ou então procediam aos consertos, deve-se considerar todos os trabalhadores que compõem, nas indústrias, a cadeia de fabricação do calçado. E são estes os responsáveis, hoje, por calçar indivíduos em todos os pontos do planeta. Como os francanos, que fabricam calçados que são exportados para pontos tão distintos quanto Tóquio, no Japão, e Nova York, nos Estados Unidos.
Dado ao crescimento do setor, Franca vive, inclusive, uma situação incomum: faltam profissionais. As indústrias não conseguem preencher os seus quadros. Pesa também o fato de uma melhoria generalizada na economia, que levou profissionais para outras áreas. Assim, a cidade não está conseguindo suprir a demanda na formação de profissionais especializados para a indústria calçadista.
Seja como for, a recuperação das exportações e a consolidação do mercado interno são boas razões para que o sapateiro francano comemore neste século XXI a sua profissão, cujos primórdios remontam a 10 mil anos antes de Cristo. A industrialização teve seu início ainda no século XIV. Há motivos para festa, quando se sabe que Franca está próxima de repetir o seu apogeu industrial verificado em outras épocas, fortalecendo ainda mais toda a economia da região, que segue aquecida e com perspectivas de maior crescimento nos próximos meses. Grande parte desta situação se deve ao trabalho do personagem que merece celebrar e ser celebrado nesta segunda-feira.