A psicóloga Tânia Regina de Oliveira, especialista em terapia de casais e psicossomatista, trabalha na área há 12 anos. Para ela, o aumento de divórcios é reflexo da correria do dia a dia, da redução no número de filhos por família que faz com que as pessoas vivam mais isoladas e encontrem dificuldades de se relacionarem.
Comércio - Por que os casais têm se separado?
Tânia de Oliveira - Não teria uma resposta exata. Profissionalmente acredito que não temos de fazer uma análise só voltada para o casamento, mas antes para a família e a educação que tem dado aos filhos. Hoje é muito difícil uma família que valorize o vínculo afetivo.
Comércio - O que mudou?
Tânia - As famílias foram se fechando pela correria e pelo fato de a mulher ter entrado no mercado de trabalho. Hoje os filhos não têm mais tempo para vivenciar essa família, o que tem gerado um individualismo. Quando as pessoas se casam, são imaturas... Elas não estão aprendendo mais a brigar, conversar, reorganizar e restaurar. Isso é aprendido em casa, na convivência com a mãe, com o pai, com irmãos. Hoje, na primeira discussão, quando o cônjuge não consegue ser o que a pessoa espera, ela não tem condições internas de conversar, de restaurar o relacionamento. E o que fica mais fácil é o divórcio. Separar hoje ficou como trocar de carro. Para mim, casamento feliz não é o que não tem brigas, mas o que supera crises e conflitos...