08 de julho de 2026

Solidariedade


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O governo chileno deu ao mundo uma clara, manifesta e inequívoca demonstração de fraternidade, solidariedade, espírito cristão e profissionalismo em todo o desenrolar do processo de resgate dos 33 mineiros soterrados na mina San José, no Deserto do Atacama.

O presidente daquele país, Sebastian Piñera, conduziu pessoalmente todas as medidas que se fizeram necessárias, contando inclusive com a ajuda da NASA, para que o resgate daqueles homens, soterrados desde 5 de agosto, se revestisse de pleno êxito.

Todos eles, felizmente, foram resgatados incólumes. Os especialistas na matéria reconhecem que os mineiros, 32 chilenos e 1 boliviano, receberam do governo do Chile, antes, durante e após o resgate, toda a sorte de assistência física, psicológica, material e espiritual.

O governo local também não descuidou da assistência aos familiares dos operários. Montou-se uma base operacional próxima à mina com Internet, pronto socorro, banheiros com duchas. Todos foram tratados com respeito, dignidade e humanidade.

Infelizmente, em algumas tragédias ocorridas em solo brasileiro o que se evidencia sempre é descaso e desrespeito com as famílias envolvidas.

As informações são sempre escassas e desencontradas, geralmente fornecidas por funcionários despreparados e deseducados. A assistência às famílias, quando é prestada, fica restrita às primeiras horas pós-evento. Tudo é feito por obrigação e não por opção.

Óbvio que o presidente Piñera, a meu ver de forma merecida, capitalizou em termos políticos, o episódio.Tornou-se uma celebridade internacional.

Foi primeira página nos principais jornais do mundo e sua imagem esteve exposta positivamente em todos os canais de televisão do planeta.

Pareceu, porém, que em nenhum momento ele tenha se movido para obter dividendos políticos. Fez como dever de estadista. Fez por humanidade.

Fez por respeito à seus compatriotas e fez, principalmente, por solidariedade cristã.

Em seu pronunciamento após o primeiro resgatado ter chegado à superfície fez questão de ressaltar que a grande riqueza do Chile não é o cobre, mas o seu povo e que ‘a fé moveu montanha’. São lições que precisam ser aprendidas por vários governantes brasileiros.

Sim, a forma como se conduziu o resgate das vítimas pelo governo chileno, deve servir de lição a políticos brasileiros, gente que precisa entender que acima dos interesses econômicos, geralmente mesquinhos, deve sempre prevalecer o ser humano que é, sem dúvida, a figura principal de toda a obra de Deus.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca