09 de julho de 2026

A energia das mandalas em exposição


| Tempo de leitura: 3 min
A artista plástica Karina Gera expõe mais de 100 mandalas na Pinacoteca de Franca até o dia 30

Círculos de todas as cores, com detalhes de várias formas e texturas, que além de encher os olhos de beleza transmitem muita paz e energia inexplicável a quem necessita daquela força. As mandalas compõem a exposição Energia, energia: o círculo da origem, da artista plástica francana Karina Gera. Os “círculos mágicos e sagrados” podem ser visitados e adquiridos até o dia 30 de outubro, na Pinacoteca.

Karina explica que para os monges tibetanos a mandala é um objeto sagrado que busca a iluminação, a pureza, a motivação e a perfeição. “Cada uma das quatro partes significa a aproximação entre os quatro pensamentos ilimitados do saber: bondade, compaixão, simpatia e serenidade. O principal ensinamento da mandala praticado pelos budistas é de que neste mundo nada nos pertence”, enfatiza Karina.

Já os cristãos utilizam as mandalas para decorar catedrais em vitrais e chão. “O círculo é um símbolo muito forte e remete à energia sagrada, força suprema e vital”, afirma.

Em suas 114 mandalas ecologicamente corretas - criadas com materiais reciclados como espelhos, madeira MDF e CDs reutilizados (doados pelas universidades) -, a artista criou objetos para uma finalidade específica ou necessidade pessoal. As mandalas são inspiradas em vários temas como natureza, amor, proteção, espiritual, equilíbrio, riqueza, saúde, beleza, fartura, trabalho, sucesso, fé, determinação, sorte, paz, entre outros.

“Procurei passar muita paz, muita energia positiva através das cores. Tudo que busquei colocar nestas mandalas é o equilíbrio. Por isso, cada pessoa, quando olhar, vai se identificar com alguma mandala, porque é aquilo que está faltando para ela”, enfatiza. “Além de serem bonitas e decorativas, têm alguma coisa a mais. As cores têm o poder vibracional de transmitir sensações para os seres humanos”, completa Karina.

Nas mandalas, o branco é a pureza; o laranja significa atração; o rosa inspira o amor; o verde traz saúde, dinheiro e sorte; o azul garante inteligência e equilíbrio enquanto o amarelo proporciona alegria, criatividade e diversão, e assim por diante.

E qual é a cor de Karina? “Costumo dizer que gosto muito de azul, azul, azul. No meu guarda-roupa tem muito azul. Mas agora estou entrando numa ala verde, dei um upgrade. E já que o verde é o azul misturado com o amarelo, acho que subi um degrau (risos)”.

Ela também comenta o tema da mostra. “O ser humano depende da energia do outro: você me dá uma coisa e eu te dou outra coisa em troca. O círculo é a origem de tudo: o óvulo, o esperma, os frutos que nos alimentam, as sementes, o sol, a lua, os planetas, os átomos, tudo é circular. O círculo é a origem do universo”, ressalta.



O CONTATO COM AS MANDALAS

Karina conheceu as mandalas em 2007 quando passou por problemas de saúde e os médicos não descobriram o que ela tinha. “Eu trabalhava numa empresa que fazia produtos para conforto dos pés e pesquisava muito as terapias, então a diretora me levou numa terapeuta holística”, conta a artista, que começou a fazer o tratamento em São Paulo, mas logo ficou desempregada. A solução para pagar as consultas veio do talento da arte.

“A terapeuta quis continuar a me atender, então comecei a pesquisar sobre arte budista e indiana para presenteá-la em cada sessão, até que descobri as mandalas”, recorda Karina, que logo começou a receber encomendas dos amigos.

Para concluir a exposição, a francana precisou de quatro meses de trabalho, noites em claro, horas de almoço, feriados e finais de semana. “Cheguei a ficar seis horas em algumas mandalas... é muito trabalhoso. Tive até que tirar férias do meu noivo (risos)”, diverte-se. “O legal é que todos que viram a exposição me falaram que sentiram alguma coisa positiva. Isso recompensa tudo e estou muito feliz”, finalizou.