O Brasil tem 17,6 milhões de armas leves, 57% dessas ilegais, aponta o relatório elaborado conjuntamente pelo IUHEI (sigla em francês para Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais em Genebra), a ONG Viva Rio e o ISER (Instituto de Estudos da Religião). Os dados são de 2008, segundo a Viva Rio. Foram consideradas armas leves aquelas que podem ser usadas e transportadas por uma ou duas pessoas, incluindo as de cano longo. O estudo faz uma ampla análise da presença de armas leves no Brasil, a origem, presença e uso, e as diferenças existentes entre os Estados. Em 72% dos casos, as armas leves pertencem a companhias privadas e a indivíduos particulares, embora tenham sido encontradas diferenças geográficas. Nas grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília predomina a presença de pistolas. Já nas regiões mais agrárias, como Roraima, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, as armas mais comuns são revólveres e fuzis.
Esta situação pode ser constatada diariamente, a cada notícia de tiro acidental, bala perdida ou apreensão de armas irregulares, além da prisão de marginais portando revólveres ilegais e até de fabricação caseira. Todos estes casos decorrem da falta de segurança que assola cada um dos cidadãos brasileiros. Enquanto alguns armam-se para tirar proveito em ações criminosas, outros o fazem para defender-se e proteger os seus das ações delituosas contra o patrimônio e a vida. E a morte ronda a todos, num caso ou noutro: marginais sob o efeito de drogas ou então bastante nervosos acabam disparando a esmo, atingindo suas vítimas ou algum inocente que esteja passando ao largo; no caso da vítima, ao tentar reagir pode também ser baleada ou então atirar contra seu algoz ou então em quem nem esteja acompanhando a ação. E, finalmente, crianças encontram a arma escondida em casa e acabam se matando (como o garoto de 9 anos no último domingo, em Guarulhos) ou acertando algum coleguinha (como o caso do estudante, também de 9 anos, morto dentro da sala de aula em Embu, no mês passado, por um disparo de arma de fogo possivelmente feito por um colega ainda não identificado).
As armas - ilegais ou não - continuam circulando livremente e na maioria das vezes acabam engrossando o arsenal da bandidagem que não se preocupa em atirar - e nem contra quem está atirando. É uma questão delicada e difícil de ser resolvida. O recolhimento de armas que o Ministério da Justiça faz há alguns anos só tira de circulação as armas ilícitas que estavam na posse de cidadãos temerosos pela própria sobrevivência. Ou seja, quem tem consciência da irregularidade acaba entregando a sua arma às autoridades. Porém, o armamento dos bandidos continua ilegal, irregular e - o que é pior - matando e ferindo inocentes pelo Brasil afora.