O drama vivido pela garotinha Thainá, de apenas 7 anos, que teve 45% do corpo queimado durante um acidente doméstico, na última quarta-feira, deve servir de alerta para uma situação que é recorrente em todo o País. Além disso, é preciso chamar as atenções dos pais, já que a menina virou sobre seu corpo uma panela com água quente que estava sobre o fogão na cozinha da própria casa. Ao contrário do que se pensa, a situação é mais comum do que se pensa: nove em cada dez acidentes envolvendo crianças acontecem na própria residência – a terceira maior causa de morte infantil no País – ou na escola. Porém, na maioria das vezes, podem ser contidos apenas com cuidados preventivos. Estima-se que para cada criança que morre outras 900 podem sofrer sequelas de todo tipo, incluindo invalidez permanente. Estudos realizados por pesquisadores da Unesp (Universidade do Estado de São Paulo) de Marília (SP) dão conta de que os acidentes domésticos matam um bebê por dia no Estado de São Paulo.
Muito além dos custos econômicos, há um custo social, que se refere ao sofrimento e à dor que são impostos a uma criança em função destas ocorrências. E nestes casos, a verdadeira prevenção depende dos pais, da família ou de quem tem a responsabilidade de cuidar de sua integridade e vigiá-las. Com base em fatos publicados pelo Jornal da Unesp sabe-se que relatórios da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) demonstram que, entre 1985 e 1993, ocorreram 2.916 mortes de crianças com menos de um ano por acidente no Estado de São Paulo. Todavia, os índices podem ser mais assustadores, pois muitas notificações de fatos ocorridos em casa deixam de ser feitas, por conta da pequena gravidade.
De acordo com especialistas, os acidentes mais comuns envolvendo menores são provocados por quedas, armas de fogo, afogamentos, engasgos, queimaduras, envenenamentos, sufocamento e falta de segurança no transporte. Os acidentes domésticos são muito comuns e mesmo com todo o cuidado alguns objetos e situações apresentam riscos. Os pais devem lembrar que para a criança - principalmente as muito pequenas - tudo pode ser brinquedo interessante e ela não é capaz de avaliar o perigo. Por isso devem ficar atentos a pequenos objetos como moedas, tampinhas de garrafas, clips, botões até brinquedos que possuam peças pequenas e que se soltam com facilidade, podendo causar engasgos e sufocamento. Para a redução dos números, só se empregando uma famosa frase (atribuída a Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos) modificada: “o preço da segurança é a eterna vigilância” às nossas crianças. Do contrário, iremos continuar a noticiar fatos como o que atingiu Thainá e muitas outras tragédias envolvendo meninos e meninas por todo o País.