As mortes do comerciante Adriano Borges Vilela, 43, e de sua filha Aline Gabriela dos Reis Vilela, 18, ocorridas no último domingo, 10, no Morro do Sorocotuba, no Guarujá (SP), não foram as primeiras naquele local envolvendo francanos (leia mais em apoio). Em dezembro de 2007, o empresário Fabiano Faleiros Fernandes, que residia na Vila São Sebastião, morreu depois de salvar uma banhista que se afogava. “É o mesmo local em que a família teve esta infelicidade. Até o comerciante que deu entrevista (para uma rede de TV) é o mesmo de três anos atrás”, disse o professor universitário Fabrício Faleiros Fernandes, 40, residente no Jardim Noêmia, irmão do empresário morto e que esteve no Sorocotuba dias depois da tragédia.
Fabiano Fernandes, que tinha 34 anos, estava a passeio no litoral paulista com dois amigos. Na tarde do dia 30 de dezembro de 2007, os três se divertiam no morro, quando viram uma banhista se afogando. O empresário, que sabia nadar, entrou na água e salvou a jovem. No entanto, antes que pudesse sair, foi atingido por uma forte onda e jogado contra o paredão de pedras. Ele sofreu ferimentos por todo o corpo, principalmente na cabeça. Sem conseguir nadar, acabou se afogando. “A intenção dele foi salvar a vida da moça, mas não conseguiu salvar a própria vida”, lembrou o irmão.
Com a morte do comerciante Vilela e da filha Aline no último fim de semana, a família Fernandes relembrou o ocorrido com o jovem empresário e compareceu ao velório. O professor Fabrício Fernandes disse que as mortes confirmam que, desde a morte do seu irmão, nada foi feito para melhorar a segurança de quem visita o local. “Nada fizeram e vai continuar morrendo gente naquele local, porque não há salva-vidas”, desabafou.
DEFESA
Os bombeiros foram acusados pelas duas famílias de demora para atender as ocorrências envolvendo os francanos, tanto em 2007, como agora. Em nota assinada pelo tenente Medeiros, o 17º Grupamento dos Bombeiros de Guarujá se defendeu em relação à ocorrência que matou pai e filha. “As primeiras informações diziam que o afogamento seria na Praia da Enseada (Canto do Tortuga) para onde foram deslocadas as equipes de salvamento. Ao chegarem, foram informadas do exato local, considerado de difícil acesso por ser costeira. No dia do acidente, o mar estava agitado com ondas de dois metros que dificultavam a chegada da moto-aquática. Para prestar o devido socorro, foi necessária a presença da aeronave (helicóptero) Águia”.
Sobre a falta de salva-vidas, o oficial informou que o local não é frequentado por banhistas, que o trecho onde ocorreu a tragédia não costuma ter mortes e apenas mergulhadores de pesca submarina costumam frequentar o local.
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