09 de julho de 2026

Sem incidentes, os 33 mineiros chilenos são resgatados


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Após 70 dias de uma angustiante espera e luta pela sobrevivência, ontem a noite, às 21h55, terminaram os trabalhos de resgate dos 33 mineiros e seis socorristas que estavam confinados a uma profundidade de quase 700 metros na mina de cobre de San José, no deserto de Atacama, no Chile.

A operação de resgate, sem precedentes na história da mineração, foi concluída com sucesso e sem incidentes. Foram 22h36 de serviços ininterruptos, superando todas as previsões iniciais. A primeira previa salvar os mineiros no dia 25 de dezembro, no Natal, e a última expectativa – e a mais promissora – era de retirar os homens em até 48 horas. Todas as previsões foram superadas e o último a ser içado foi o operário Luis Urzúa que era o líder do grupo. "O capitão é o último a sair do barco", repetia-se sempre. Ele já era o líder daquela equipe antes mesmo do desabamento - chefiava o turno.

O presidente chileno, Sebastián Piñera, mais uma vez capitalizou a operação (como fez nos últimos dias), abraçando Urzúa demoradamente e depois liderando a entonação do hino chileno. "Me sinto orgulhoso de ter o privilégio e a responsabilidade de ser o presidente de todos os chilenos", disse.

O custo da operação foi US$ 22 milhões (R$ 37 milhões). Três quartos saíram dos cofres do governo e o resto foi bancado por empresas privadas.

Início do drama

Desde o dia 5 de agosto o mundo voltou as atenções para o drama vivido pelos 33 operários da mina. Durante 17 dias em que ficaram perdidos no meio da montanha, a 700 metros de profundidade, conseguiram dividir, mesmo esfomeados, poucas latas de atum e pêssegos.

Médicos analisam que o longo período ocasionou que os homens tenham perdido em média 10 Kg cada, decorrentes também de má alimentação e das infecções intestinais por beberem água contaminada.

Dentro da mina os homens suportaram temperaturas de até 40º e hiperumidade. Mesmo com todas as barreiras, o espírito de união durante os 70 dias, foi fundamental.

Copiapó é cidade mineira há séculos. "O que vimos nesses 70 dias - a força de vontade, a união, a resistência- são coisas que só puderam existir porque em Copiapó se cristalizou uma cultura de mineração e de dignidade profissional", disse Juan Herrera, mineiro de 62 anos, os olhos marejados, a bandeira azul com estrela amarela da região de Atacama (Copiapó é capital) nas mãos.

"Missão cumprida, Chile", ouviu-se na praça da Intendência, centro de Copiapó, quando a Fênix 2 veio a terra com o último trabalhador da mineradora.

Para celebrar a vitória, familiares e amigos dos 33 chilenos resgatados planejam realizar uma festa no próximo domingo.