08 de julho de 2026

O dever de louvar


| Tempo de leitura: 4 min

A Igreja Católica vive, em outubro, o mês missionário, refletindo sobre a missão que devemos realizar no mundo como parte integrante da vida cristã. Todos nós possuimos no DNA cristão a vida, a chama missionária.

Também este é o mês do Rosário. Rezamos para que Deus nos faça encorajados no cumprimento da nossa missão aqui na terra. Hoje é o 28º domingo do tempo comum da liturgia. A palavra proclamada vem dos seguintes trechos da Bíblia: 2º livro dos Reis 5; 2ª Carta de Paulo a Timóteo 2 e o evangelho narrado por Lucas, capítulo 17.

A primeira leitura relata um acontecimento na vida do comandante do exército da Síria, que se chamava Naamã. Era leproso e adorava a Remon e não a Javé. Certo dia, por meio de uma empregada, foi informado que em Israel existia um homem de Deus, chamado Eliseu, com poderes capazes de curar sua doença. Naamã vai até ele. No caminho, recebe a ordem de banhar-se nas águas do rio Jordão. A princípio, ele ficou chateado com o profeta por não ser recebido por ele, mas foi convencido pelos seus companheiros e obedeceu. Banhou-se e a sua carne tornou-se bela como de uma criança: foi curado. Tentou agradecer presenteando Eliseu, que não aceitou a recompensa. O profeta não quer que Naamã pense que a cura é devida aos seus méritos. Naamã entende: foi Javé, o Deus de Israel, quem o curou. Faz, então uma profissão de fé: não existe outro Deus em toda a terra senão o de Israel: Javé. Naamã converteu-se.

Esta leitura traz uma bela lição para nossa vida: às vezes queremos conquistar a graça de Deus à base de ações heróicas, laboriosas, difíceis. Deus não aceita ser pago, porque não há como pagá-lo. É necessário reconhecer os prodígios de Deus e louvá-los por isso. Tudo o que Deus faz é merecedor de agradecimento, de louvor de nossa parte. Nem nossos louvores são necessários, mas apenas são expressão de um coração que se deixou tocar e agradece.

A segunda leitura foi escrita por Paulo quando estava na prisão. Naquela situação muitos amigos o abandonaram. Este é o destino que espera os que se dedicam com lealdade à causa do evangelho.

Paulo se conforta lembrando que Cristo passou pelos mesmos sofrimentos e incompreensões antes de entrar na glória. O apóstolo exorta Timóteo a permanecer com Cristo. Paulo suporta tudo com vistas à salvação de todos. A meta do caminho ilumina e dá sentido à caminhada. Paulo exorta a Timóteo para que compreenda que ninguém pode deter a Palavra, pois ela é de Deus, age pela força do Espírito, e nós somos seus mensageiros.

O trecho do evangelho relata a cura de dez leprosos. O pensamento daquela época é que todas as doenças eram consideradas um castigo, mas a lepra era o próprio símbolo do pecado. Pensavam que Deus se servia dela para castigar os invejosos, os arrogantes, os ladrões, os assassinos e todos que fossem maus. A cura era considerada um milagre. Os leprosos se sentiam rejeitados por todos e até por Deus.

Os dez recorrem a Jesus e pedem “piedade”. Jesus, ao vê-los, disse: “Ide e apresentai-vos aos sacerdotes”. A lei estabelecia que, quem ficasse curado da doença, se apresentasse ao sacerdote. Este, depois das devidas verificações, decidia readmitir a pessoa na comunidade.

Eles obedecem e percebem, ao longo do caminho, que estão curados. Percebendo a cura, um deles volta a Jesus e lhe agradece. É um samaritano. Jesus fica admirado de que um só, o estrangeiro, tenha sentido a necessidade de dar graças a Deus e lhe diz: “Levanta-te e vai, tua fé te salvou”.

Qual a mensagem que colhemos do evangelho? Eis alguns pontos: a plena e verdadeira cura está no encontro com o Senhor, é ele que salva, nele se manifesta a glória de Deus. A salvação está aberta a todos, mas é necessária a atitude de saber reconhecer a própria pobreza ante o dom de Deus e, ao mesmo tempo deve brotar uma atitude de louvor e agradecimento. Deus não precisa de muitos ritos complicados para curar: sua Palavra realiza o que anuncia. O que ele diz acontece!

PADROEIRA DO BRASIL
Terça-feira celebramos em todo o País, a solenidade de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Ela é também modelo de gratidão a Deus por tudo o que ele realizou através dela, exemplo de pessoa que soube realizar sua missão plenamente. Na Catedral, as missas serão celebradas às 7h, às 9h e 19h. Participe!

DOM PEDRO CARLOS CIPOLINI
Em Campinas, nesta terça-feira, 16h, será ordenado bispo para a Diocese de Amparo (SP), o Monsenhor Pedro Carlos Cipolini, que foi ordenado padre em nossa Catedral em 1978 e trabalhou 6 anos na Paróquia São Sebastião, da Estação. Para Dom Pedro Cipolini pedimos a luz do Espírito Santo. Que seu coração e sua mente sejam semelhantes ao Cristo Bom Pastor.

PENSAMENTO
“Hoje e sempre é nosso dever e salvação dar-vos Graças, Senhor Deus!”

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br