No dia 6 de janeiro de 1868 em Paris, Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, fez publicar o último livro do chamado ‘Pentateuco Espírita’, sob o título A Gênese, com subtítulo ‘Os milagres e as predições segundo o Espiritismo’. O autor apresenta sua opinião, logicamente inspirado pelos Espíritos da Codificação, sobre assuntos relacionados com o surgimento material do nosso planeta, sobre os milagres e, finalmente, sobre as predições proféticas.
Tais assuntos são abordados didaticamente nos 18 capítulos. Cumpre ressaltar, no entanto, que o capítulo 1º, por si só, vale por um livro no dizer da autoridade cultural doutrinária do querido professor José Jorge, do Rio de Janeiro, já desencarnado. No referido capítulo Allan Kardec analisa a revelação Espírita, demonstrando iniludivelmente, seu caráter divino. São palavras dele, constantes do item 13 do já mencionado capítulo: ‘Numa palavra, o que caracteriza a Revelação Espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem’. Evidencia-se, assim, que a Doutrina Espírita não é resultado do pensamento de Allan Kardec. Em outras palavras, não é Kardec o fundador do Espiritismo como muita gente pensa e como afirmou o professor Cortela em programa do Faustão, da TV Globo. Daí porque não se poder dizer Kardecismo, porque seria um pleonasmo, já que o Espiritismo, tal qual o conhecemos, só é encontrado na obra Kardeciana.
Contudo, agora durante o Censo, os espíritas veem-se na obrigação de dizerem-se ‘Kardecistas’ porquanto, se não o fizerem, serão enquadrados apenas no item ‘outros cultos’. É uma impropriedade, evidentemente. Para reforçar nossos argumentos, no item 45 do primeiro capítulo da obra citada, está anotado pelo Codificador: ‘A primeira revelação teve sua personificação em Moisés, a segunda no Cristo, a terceira não a tem em indivíduo algum. As duas primeiras foram individuais, a terceira coletiva’. Porquanto, para a Codificação da Doutrina, os espíritos se manifestaram em diversos pontos do planeta, todos concordes entre si ao anunciarem os novos ensinamentos. Todos os espíritos que se manifestaram estavam sob a coordenação do Espírito Verdade, uma falange espiritual sob a égide do próprio Cristo.
Então, qual o papel de Allan Kardec? O de codificador, isto é de sistematizador do ensino dos espíritos, escolhido pelo Espírito Verdade para vir desempenhar a maravilhosa missão de apresentar a Doutrina Espírita à humanidade. Foi o escolhido porque tinha todo o conhecimento e estofo moral para realizar tão sublimada tarefa. A ela se empenhou doando a própria vida a fim de que o ensinamento dos espíritos se tornasse conhecido pelos homens.
Ele mesmo, em sentida oração, pediu: ‘Senhor, dispõe da minha vida...’. Trabalhou tanto que os Espíritos superiores recomendaram a ele que o fizesse com mais cautela, que se poupasse mais.
Assim, nossa homenagem ao professor Hyppolite Leon Denizar Rivail, nascido francês, em 3 de outubro de 1804 em Lion e desencarnado em 31 de março de 1869 em Paris, e que adotou o codinome Allan Kardec, pelo imenso trabalho em prol da humanidade, trazendo as luzes da Doutrina Espírita.
Felipe Salomão
Diretor do IDEFRAN - Instituto de Divulgação Espírita de Franca