Franca vem vivendo um ‘apagão’ de mão de obra, conforme noticiou em sua edição de ontem este Comércio. De acordo com a reportagem, o déficit de profissionais qualificados e com experiência, antes restrito à indústria calçadista, desde o começo do ano atinge também outros setores da economia. O problema, que ameaça a expansão da produção, afeta desde o setor comercial até a agricultura. Na construção civil, há dificuldade de contratar inclusive ajudantes gerais. Uma situação decorrente do bom momento vivido pela economia da cidade. É como já constatamos: quando a indústria calçadista vai bem, os demais setores da vida econômica também vão bem. Porém, além de um indicativo de que a demanda por profissionais fica acima do existente por conta da produção crescente, o ‘apagão’ deve ser encarado com maior seriedade e preocupação.
Afinal, se não houver a formação de mão de obra em nível desejável, os setores produtivos podem sofrer uma interrupção na expansão por conta de não atender a demanda. E o que deveria ser produzido aqui, aquecendo nossa economia, acaba sendo desviado para outros centros, onde há trabalhadores qualificados em maior quantidade. O que se vê, por ora, é que muitas empresas têm sobrecarregado funcionários, incentivado promoções internas e até oferecido treinamento próprio para não se tornar refém do ‘apagão’ de funcionários e emperrar seu crescimento. A carência ocorre de maneira mais acentuada também no comércio e na construção civil - as construtoras têm encontrado dificuldades para contratar até um carpinteiro.
Por conta da escassez, há empresas que já buscam empregados fora do município. Embora seja benéfica também para os municípios da região, a ‘importação’ de mão de obra também acontece a partir de centros mais distantes e com maior oferta de profissionais, como Ribeirão Preto - em certos casos, busca-se ainda mais longe, inclusive em outros Estados. Aí, Franca deixa de prover colocação a quem aplique na região os salários recebidos, alocando recursos para quem não vai gastar por aqui. A dispersão do dinheiro gerado em nossa região (onde deveria também ser gasto) acaba enfraquecendo a economia local. Com o passar do tempo, este movimento - ao lado da busca dos empresários por outros centros onde a mão de obra qualificada é mais abundante - tende a causar grandes abalos na economia local, que ainda depende do bom humor vivido pela indústria de calçados - onde o número de profissionais formados hoje se mostra insuficiente. Um ‘apagão’ de mão de obra não é interessante para as empresas e muito menos para os francanos. É imperativo que uma solução seja encontrada em curto prazo, para que a economia de Franca e região não seja prejudicada.