O garoto de 14 anos, aluno da 7ª série do ensino fundamental, flagrado na tarde de segunda-feira com maconha em uma escola da Zona Norte de Franca, vai ser acompanhado pelo Conselho Tutelar e encaminhado para tratamento.
O flagrante aconteceu depois de uma denúncia anônima. A polícia apreendeu o adolescente ainda na escola. Com ele, foram encontrados também um canivete e um isqueiro. Seus pais foram chamados e todos acabaram conduzidos para a Dise (Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes) e liberados em seguida pelo delegado Pedro Dallaqua.
De acordo com o Conselho Tutelar, o processo do garoto deve chegar ao órgão em até 10 dias. A família e o adolescente serão, então, notificados para comparecerem ao órgão e prestarem esclarecimentos. “Vamos apurar as razões que levaram o menor a usar drogas. Logo em seguida, repassamos as primeiras orientações e encaminhamos o adolescente para os profissionais que vão indicar o tratamento compatível com a situação”, disse Glaucia Machado Limonte, presidente do Conselho Tutelar de Franca.
O menino não possui passagem pelo Conselho, mas admitiu estar envolvido com drogas há pelo menos seis meses. “Comecei a mexer com drogas por curiosidade”, disse ontem.
O adolescente, seus pais e seus dois irmãos vivem em uma casa situada dentro do ferro velho que possuem. Um dia depois da detenção do filho, a mãe ainda busca entender o que se passa. “Não sei por onde começar. Quero ajudá-lo antes que ele entre em um mundo sem volta. Ele, inclusive, já me pediu ajuda. Já pensei até em passar um mês longe da cidade para ver se as coisas melhoram”.
Ela começou a perceber as mudanças no comportamento do filho há quatro meses. “Eu busquei ajuda, mas não consegui ser atendida. Tenho medo de que meu filho precise ir para a Fundação Casa algum dia. Sei de criança que entrou lá e saiu pior. Uma clínica seria diferente, pois um psicólogo poderia ajudar”.
A mãe também disse que o filho sofre com depressão e não é um garoto com muitos amigos.
ATENDIMENTO
Em Franca, usuários de drogas e dependentes químicos podem procurar ajuda na Proreavi (Projeto de Restauração de Vidas) e também no Caps (Centro de Atenção Psicossocial). Para os menores de idade com problemas ligados à dependência química, a recomendação é procurar o Conselho Tutelar, que fará o encaminhamento para os profissionais responsáveis.
Em 2009, 296 adolescentes foram atendidos pelo Conselho Tutelar de Franca por envolvimento com entorpecentes, uma média de 24 por mês. Esse mesmo patamar vem se mantendo desde então. Em setembro de 2010, 23 adolescentes passaram pelo Conselho pelo mesmo motivo.