08 de julho de 2026

Rolo compressor funcionou


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Além do segundo turno nas eleições presidenciais, fato considerado bastante remoto em meados de setembro, as urnas de domingo foram responsáveis também por alijar do Senado nomes veteranos da política e que compuseram uma oposição ferrenha ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Figuras como Tasso Jereissati - três vezes governador do Ceará e senador desde 2002 - agora terão que se contentar com pelo menos dois anos sem mandato. Além do tucano, que anunciou ontem o abandono da vida pública, o ex-vice presidente Marco Maciel (DEM-PE), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) também foram derrotados. Nos últimos oito anos, eles foram pontas de lança do bloco de oposição a Lula no Senado, conseguindo impor ao governo derrotas importantes, como a queda da CPMF.

Outro derrotado (mas que não deixa o Senado Federal porque ainda tem quatro anos de mandato) foi Jarbas Vasconcelos (PMDB). Seu partido integra a base aliada do governo federal mas ele constitui, por sua independência e discurso crítico, uma ‘pedra no sapato’ da situação. Derrotado por Eduardo Campos (PSB) na disputa pelo governo de Pernambuco, Vasconcelos foi mais uma vítima do rolo compressor de Lula, que fez questão de escalar candidatos fortes capazes de derrotar políticos de oposição que impuseram entraves a seus interesses no Senado. Conseguiu ampliar a sua base na Casa e cimenta uma liderança folgada no Congresso, o que favorecerá Dilma Rousseff (PT), caso se eleja. Enquanto a base aliada somará 46 cadeiras no Senado, em 2011, na Câmara dos Deputados deverá ter 402 deputados federais. O PT será o partido com maior número de cadeiras, com 88 parlamentares, seguido pelo PMDB, com 79. Se houver uma eventual vitória de José Serra (PSDB) no segundo turno, o tucano deverá ter muito trabalho para conseguir apoio no Congresso para seus projetos e proposituras.

Mas ao mesmo tempo em que líderes da oposição tomam o rumo da porta de saída, o ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB) emerge das eleições como principal nome da oposição no Congresso. Sua eleição era dada como certa no Senado, mas mostrou muita força ao conseguir, em Minas, o que Lula não conseguiu nacionalmente: eleger, em primeiro turno, o vice Antonio Anastasia - ele nunca havia disputado uma eleição. Também entra nessa conta dos ‘abençoados’ do PSDB o paulista Aloysio Nunes Ferreira, a maior surpresa do País entre os candidatos ao Senado. Ou seja, as eleições de domingo trouxeram surpresas e, mais uma vez, comprovaram a força transferida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a aliados em certas regiões do País. Em outras, como em São Paulo e Minas Gerais, as lideranças locais continuam fortes e organizadas, causando derrotas inesperadas para o presidente (como ao Senado, em SP, ao governo e Senado, em Minas). Por isso, a campanha do segundo turno (que recomeça nesta terça-feira) poderá tomar novos rumos e até interferir nos números registrados no primeiro turno. Depende agora das estratégias de Dilma e Serra.