09 de julho de 2026

O efeito Marina no 2º turno


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A eleição para a Presidência da República vai para o segundo turno. Dilma Rousseff (PT) não conseguiu sensibilizar metade mais um dos eleitores brasileiros e terá que travar um novo embate com José Serra (PSDB), no segundo turno. Nem todo o esforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em levar sua candidata à vitória no primeiro turno foi suficiente. E o grande destaque do pleito de ontem foi a chamada ‘onda verde’, que não estourou no segundo turno, mas levou Marina Silva (PV) a superar as expectativas mais otimistas dos verdes e mudar os rumos de uma eleição que parecia definida com mais de um mês de antecipação. Após ultrapassar os 19 milhões de votos, com quase 20% dos válidos, ela sai fortalecida como alternativa à polarização entre PT e PSDB e já começa a pensar numa nova candidatura com mais chances no próximo pleito à Presidência, em 2014.

As últimas pesquisas já apontavam para esta tendência, o que acabou confirmado nas urnas. O PV sai fortalecido e pode ser o verdadeiro fiel da balança no segundo turno. Marina Silva, na primeira entrevista ao se confirmar os seus quase 20 milhões de votos, anunciou neutralidade, mas o partido deverá marcar posição. Marina Silva quebrou a polarização PT-PSDB estabelecida na eleição de 2006. Na última disputa presidencial, apenas Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) apareciam em primeiro ou segundo lugar nas 27 unidades da Federação. Heloísa Helena (PSOL), terceira colocada em 2006, não teve participação expressiva na disputa. Neste ano, porém, Dilma Rousseff e José Serra não conseguiram repetir o desempenho de seus antecessores e cederam espaço à candidata do PV, que terminou a campanha como terceira força nacional. Marina roubou espaço significativo do PT e do PSDB em vários Estados e no Distrito Federal. Neste, por exemplo, ficou em primeiro lugar com 42%, batendo Dilma por dez pontos percentuais. No Rio de Janeiro, Marina foi a segunda mais votada, com 31%, 13 pontos atrás de Dilma, mas oito à frente de Serra.

Isso quer dizer que a ex-ministra e atual senadora sai bastante fortalecida e o seu apoio deverá ter um peso considerável no segundo turno. Por isso, ontem mesmo, poucos minutos após a finalização da apuração, ela recebeu telefonemas do presidente Lula e do tucano José Serra. Embora não haja a garantia de transferência de votos, dificilmente o eleitorado que sufragou o seu nome será refratário à escolha que ela fará, de forma explícita ou velada, não se sabe. Por isso, começa a partir de agora uma nova campanha: Dilma buscará consolidar uma liderança folgada enquanto José Serra mudará radicalmente a sua estratégia não só para sensibilizar os eleitores verdes mas também para a avançar no eleitorado da petista. Por isso, os próximos passos desta disputa devem ser acompanhados com bastante atenção e o sucesso destas movimentações só serão revelados pelas urnas no dia 31 de outubro. O segundo turno poderá reconfigurar o que já parecia definido até uma semana atrás.