08 de julho de 2026

A vida pela fé


| Tempo de leitura: 4 min

Começou o mês de outubro, dedicado à devoção do Rosário. Também é o Mês Missionário e das eleições em todo o País, exatamente hoje. Os trechos das celebrações eucarísticas são: Habacuc 1; 2ª Carta a Timóteo 1 e o Evangelho escrito por Lucas 17. O tema central da Palavra é a “Fé”.

A primeira leitura relata uma situação enfrentada por Habacuc. O fato ocorre 600 anos antes de Cristo. O poder político está nas mãos de Joaquim, um rei que gosta do luxo, das festas, dos grandes palácios, entretanto, sem competência para governar. A situação é muito difícil e o povo desesperado, dirige-se ao profeta Habacuc e lhe diz: “Consulta por nós o Senhor. Queremos saber o que devemos fazer porque assim como está não conseguimos levar adiante a nossa vida”.

A oração de Habacuc é desafiadora: ele tem a coragem de dizer a Deus que não concorda com ele, que não entende sua tolerância com os malvados; tem a ousadia de pedir-lhe contas de seu comportamento. Deus responde dizendo: “deverá passar um tempo antes que chegue a libertação e o povo não pode desanimar. Aquele que tiver se mantido fiel verá a destruição do ímpio e o triunfo do justo”.

A oração de Habacuc não provoca mudanças em Deus, mas permite que o homem descubra sua pobreza, seus limites, a mesquinhez de seus projetos. Diante da palavra relatada, a melhor oração que pode surgir nos nossos lábios é esta: abre o nosso coração, ajuda-nos a superar as nossas expectativas, as nossas garantias, os nossos projetos e faze com que aceitemos os teus. Esta é a fé que salva!

A segunda leitura é a exortação de Paulo a Timóteo para que lute fielmente pelo Evangelho. O ministério que lhe foi confiado exige energia, não fraqueza, além de coragem para testemunhar a verdade e não timidez. Paulo pede a Timóteo e aos dirigentes das comunidades que conservem o propósito da fé em toda a sua integridade. Esta é a grande e permanente missão da Igreja. Os tempos mudam mas a Palavra de Deus continua atual, exatamente a mesma, sem necessidade de mudanças.

Muitos ficam contra alguns ensinamentos que a Igreja anuncia como doutrina a partir da Palavra de Deus. É sempre difícil aceitar o pensamento de Deus. Ele não briga conosco. Ele é santo. Ele é Pai! Seu jeito é diferente. O melhor, é que age com paciência, aguardando nossa caminhada.

O evangelho trata, especificamente, sobre a Fé. Vive da fé e é justo quem se sente feliz por ser um servo do Reino e, ao final da jornada, não espera melhor recompensa que poder seguir servindo ao Senhor, pois sabe que sua força e o fruto do que faz vêm d’ Ele.

A fé tem como base a abertura do ser humano inteiro a Deus. Os discípulos haviam recebido de Jesus “poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo”. E, ao voltar da missão reconhecem que até os “demônios os obedecem por causa do nome de Jesus”. Com o passar do tempo parece que esse poder fugiu das mãos dos primeiros cristãos. A causa do insucesso é a crise de fé.

No trecho do evangelho em os discípulos pedem “aumenta a nossa fé”, Jesus responde que não se trata de ter “mais” ou “menos” fé. Não é questão de quantidade e sim, de qualidade da fé! A fé é uma atitude pessoal, uma postura da total liberdade do ser humano. A fé não nos facilita o caminho, simplesmente lhe dá sentido. A fé é um processo de amadurecimento, pois é duro descobrir em alguns momentos da vida que a fé pode não trazer a solução de todos os problemas. A fé é diferente de superstição ou magia. O supersticioso quer Deus à sua disposição. Somos pobres servos, humildes servos do Senhor que devem alegrar-se simplesmente por poder servi-lo.

O dom da fé, que é dom de Deus, precisa ser cotidianamente reavivado e anunciado ao mundo. Sem fé nossa vida pode se revelar absurda, sem sentido, desesperadora. Por isso é na morte de Jesus que se revela ao máximo quem é Deus e o que pode a fé: ela não permite que a morte tenha a última palavra sobre a vida. A última palavra é de Deus e chama-se Ressurreição.

DIA DAS ELEIÇÕES!
Somos cristãos no mundo. A política deve ser lugar privilegiado para tornar nossa sociedade mais conforme à vontade do Senhor: justa e fraterna. Vamos às urnas com a intenção de eleger candidatos da nossa cidade e, se possível, escolhamos os que são “católicos” de verdade!

MÊS DO ROSÁRIO
O mês de outubro é dedicado à devoção do Rosário. Maria é presença constante na vida da Igreja e é exemplar mulher de fé. Durante toda a sua vida, e até a sua última provação, quando Jesus, seu filho, morreu na cruz, sua fé não vacilou. Por isso a Igreja venera em Maria a realização mais pura da fé. Vamos rezar o terço ou rosário em honra de Maria!

MÊS MISSIONÁRIO
Outubro é também mês das Missões. Somos discípulos missionários do Senhor que continuam a anunciar sua Palavra e a celebrar seu memorial, na espera de sua vinda. Rezemos pelos missionários e sejamos “um”, a partir da nossa família.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br