É de praxe: você para seu carro na bomba de combustível e, enquanto abastece, o frentista faz a pergunta indefectível “Quer que eu dê uma olhadinha lá na frente, doutor?”. É bom querer. Manter em dia nível e qualidade do óleo do motor, o sistema de arrefecimento e outros importantes equipamentos é essencial para seu possante continuar “vivo”.
A famosa olhadinha no motor pode evitar desde pequenos contratempos, como ter de esborrifar água para limpar o vidro da frente ou ter dificuldade de fazer o carro pegar em dias mais frios, até grandes prejuízos, como ter o motor fundido.
Por isso, um dos principais itens checados é o óleo do motor, segundo o mecânico Ronaldo de Paula Santos, funcionário da oficina Okayama. Embora não seja ideal que os dedos do profissional que trabalha em um posto faça as vezes de viscosímetro, mas a conferida checa o nível (não pode estar abaixo da marcação na vareta) e ajuda ao menos a lembrar o motorista que ele existe. “Às vezes o óleo pode estar muito grosso (viscoso) e muito preto. Vai depender muito da qualidade e da quilometragem do óleo colocado”, disse Santos.
Ele se refere ao fato de os óleos serem caracterizados por especificações, que incluem três aspectos: desempenho, viscosidade e base do óleo - que pode ser mineral, sintética ou semi-sintética. As marcas tradicionais no mercado (Petrobras, Shell, Texaco, Mobil, Castrol, Ipiranga e Repsol) costumam ter produtos que atendem a essas especificações.
O frentista pode checar também o nível da água do radiador ou da solução arrefecedora (água + aditivo). O radiador faz parte do sistema responsável pelo resfriamento da água que circula pelo bloco do motor, fazendo com que a temperatura não exceda os limites aconselháveis para o bom funcionamento do motor.
“A água do radiador tem o nível mínimo quando está frio o motor e máximo estando quente. Tem que ser completada com o motor funcionando. A falta pode dar superaquecimento. É importante que o motorista também esteja sempre de olho no painel”, afirma um dos mais experientes frentistas da cidade, seu Elson Ribeiro, de 73 anos de idade e mais de três décadas de profissão, funcionário do Posto Sorriso.
Outro item verificado é o fluido de freio. “O carro tem a marcação do tipo de fluido utilizado. Não pode faltar ou o carro fica sem freio”, disse Ribeiro, afirmando que esse problema é mais comum em carros mais antigos. “Em carro novo o pessoal fica mais atento, mas alguns donos de carros velhos não organizam isso direito, parecem não dar muita atenção para o perigo.”
Mas não basta completar. O correto é fazer a troca uma vez por ano ou conforme a recomendação do fabricante, numa oficina ou concessionária com profissionais especializados, já que o serviço não é simples, exige conhecimento técnico para que não entre ar no sistema, o que poderá tornar o freio ineficiente quando solicitado.
É possível ainda conferir o filtro de ar, que tem que estar limpo e enxuto; a água do parabrisa, para não secar quando você mais precisar, e o nível do combustível do injetor de gasolina, em carros que têm esse equipamento.