09 de julho de 2026

‘Meu sentimento é de avó’, diz mulher que gerou neta para a filha


| Tempo de leitura: 3 min
MÃE E AVÓ - Em coletiva de imprensa, filha e mãe falaram sobre os sentimentos nas primeiras horas de vida da bebê Alice

A francana Eunice Martins, de 59 anos, disse não passar por nenhuma confusão de sentimentos após dar à luz a própria neta há três dias. “Meu sentimento é de avó”, garantiu a dona de casa ao lado da filha Talita Cristina Andrade, 32, durante coletiva de imprensa concedida pelas duas na tarde de ontem na Maternidade Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto.
Da mesma forma, a esteticista Talita, que pediu “emprestado” o útero da mãe para poder ter um bebê, diz que o amor de irmã não passa nem perto do que ela sente por Alice, sua filha biológica. “De jeito nenhum, (meu sentimento) é de mãe mesmo. Estou amamentando-a. Dar comida para a sua filha viver é muito bom”, afirmou.

A coletiva aconteceu para as duas contarem a história que começou com a vontade de Talita e o marido, o italiano Guido Damiano, 41 - que vivem juntos na Itália há sete anos -, terem um filho, o que não era possível porque a esteticista ficou impossibilitada de engravidar após uma cirurgia em que teve de retirar o útero.

Com expressões simples, como “foi muita emoção”, “foi muita alegria” e “é inexplicável”, Eunice tentava explicar como está sendo para a família as primeiras horas de vida de Alice. As poucas palavras da mãe já foram suficientes para levar Talita às lágrimas. “É só me olhar... Já dá para ver, né?”, disse ela para descrever seu estado emocional e reafirmar que a mãe realizou o sonho de sua vida. “Vou agradecê-la o resto de minha vida, mas ainda vai ser pouco”.

Alice que, como diriam as pessoas com mais idade, fez as vezes de “rapa do tacho” para dona Eunice, chegou quando a dona de casa já está com três filhos bem criados e às vésperas de completar seis décadas de vida. “Eu nunca imaginei isso”, repetia ela.

Não imaginou até três anos atrás. Desde então, passou não só a imaginar como a se preparar. E para ser avó. “Me preparei bem para ser avó. Fiquei pedindo a Deus para me dar essa condição de conseguir ser realmente avó. Então meu sentimento por ela é de avó”.
E a bebê parecia saber disso. Parece ter pensado que enjoos, tonturas e outros tipos de indisposições são “coisas de mãe” e poupou a avó, já que Eunice conta que a gravidez só foi percebida com o crescimento da barriga. “Não tive nenhum momento de preocupação. Não tive nenhum sintoma de gravidez. Ela (Alice) foi muito carinhosa comigo. Em momento algum eu senti alguma coisa de grávida”, afirmou.

O “carinho” da gestação se estendeu ao parto. Não houve intercorrências. Tudo foi mais tranquilo, segundo Eunice, do que em seus outros três partos. “Este tinha mais gente em volta. Foi diferente, mas a emoção foi a mesma”, completou.
Na última terça-feira pela manhã, com 2,285 quilos e 45 centímetros, Alice dava seus primeiros berros na sala de parto. Agora, é só se recuperar de um quadro de icterícia.

IRMÃOS PARA ALICE

Talita se mostrou tão feliz com a sensação de ser mãe que disse já pensar em ter mais filhos, mas não pelo mesmo meio. “Daqui a uns dois anos talvez eu adote um bebê ou até dois”, disse. “É um amor muito grande, não consigo ficar longe dela. Eu aconselho a todo mundo: façam mais cedo, não vão esperar ter 40 anos, não”, completou.