09 de julho de 2026

Promotoria e lideranças debatem sistema de internação do SUS


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AVALIAÇÃO - Décio Piola, promotor de Saúde Pública (à frente), e representantes das prefeituras da região, Santa Casa e Secretaria Estadual de Saúde se reuniram ontem na Associação Paulista do Ministério Público para debater o sistema de internação de pac

O promotor de Saúde Pública, Décio Piola, secretários municipais de Saúde de Franca, São José da Bela Vista, Cristais Paulista, Restinga e Ribeirão Corrente, da Secretaria Estadual de Saúde e da Santa Casa se reuniram ontem para discutir o novo sistema de internação de pacientes pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Desde junho, a Crue (Central de Regulação Única do Estado) regula o serviço. Após mais de três horas de discussão nenhuma novidade foi apresentada. Ficou definido que os envolvidos devem cumprir o protocolo de atendimento assinado há meses, quando a Crue passou a operar na região. Os representantes de cada cidade, do hospital e Estado, além da Promotoria, terão 15 dias para estudar as regras e sugerir adequações para aperfeiçoar o sistema, como meios de reduzir o tempo de espera para internação.

Pelo protocolo, as unidades de atendimento básico devem entrar em contato com a Crue por telefone (ou sistema online, no caso de Franca), em São Paulo, e solicitar a vaga de internação. A central consulta o hospital para saber a disponibilidade de leito. Se o estado do paciente se agravar e o médico não obter resposta da Crue, deve seguir direto com o paciente para a Santa Casa. O plantonista tem que acompanhar o usuário até o hospital.

O secretário de Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, participou da reunião. Em Franca, os pacientes do Pronto-Socorro “Dr. Janjão” são encaminhados para a Santa Casa ou Hospital do Coração. O médico faz contato online com a Crue, por um software especial. Por dia são encaminhados de 25 a 35 pacientes para a Santa Casa. A Prefeitura enfrenta problemas para conseguir vagas. No dia 1º de setembro, Maria das Graças de Souza, 47, morreu após esperar 17 horas com crise de hipertensão no “Janjão” para ser internada. “Temos de apontar quem errou e atribuir as responsabilidades. Nessa reunião a Santa Casa prometeu abrir as portas e oferecer as vagas para internação”, disse Alexandre.

O Promotor Décio Piola afirmou que a Crue funciona, mas que ocorreram falhas dos servidores e elas estão sendo apuradas. “Avaliamos se o sistema de encaminhamento pela Crue estaria provocando óbitos, mas não é isso. Está havendo falha em alguma das pontas, mas que são situações episódicas”.

EM DISCUSSÃO

Outro ponto abordado durante a reunião de ontem foram particularidades dos municípios da região para encaminhamento dos usuários para serem internados em Franca. O promotor Décio Piola disse que enfrentam falta de estrutura e profissionais para realizar as transferências, especialmente no período noturno, das 19 às 7 horas, e essas dificuldades também serão avaliadas. “Vamos verificar como os recursos da saúde estão sendo aplicados e, se necessário, como o Estado pode assessorar as cidades”.

O secretário de Saúde de Restinga, Evanildo Montagnini, reclamou da demora para regulação da vaga no hospital. “Restinga não tem estrutura necessária para ficar com o paciente aguardando a liberação e muitas vezes temos apenas um médico para atender os usuários e não há como ele acompanhar o paciente até Franca, como prevê o protocolo. Estamos debatendo os problemas para chegarmos a uma solução”.